Santa Casa, 56 anos

Hoje, dia 10, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Valinhos está completando 56 anos de fundação. Sabemos que a semana não foi fácil para funcionários e Mesa Administrativa. Aliás, o ano que está terminando não foi fácil para ninguém. O Brasil não está bem econômica e institucionalmente e isso interfere em praticamente todos os setores da sociedade e, particularmente, na área da saúde.
No dia 10 de dezembro de 1960, percebendo a necessidade de Valinhos ter seu próprio hospital, afinal o município ja tinha cinco anos de existência e se desenvolvia a passos largos, um grupo de 246 pessoas, lideradas pelo então prefeito José Spadaccia, o Bepe, se reuniu no salão paroquial da Matriz de São Sebastião para fundar a Irmandade da Santa Casa.
O Brasil daquele distante dezembro de 1960 também estava conturbado como agora, com uma grave crise financeira. Fechava o ciclo de governo do presidente Juscelino Kubitscheck e elegia Janio Quadros, seu novo presidente que assumiria em 31 de janeiro de 1961 e renunciaria em 25
de agosto do mesmo ano.
Valinhos, por sua vez, vivia uma historia nova. O recém criado município, em sua tenra autonomia político-administrativa, precisava cuidar bem da saúde de seu povo e José Spadaccia soube como ninguém liderar um movimento que nos presenteou com uma das mais importante instituições. Foi provavelmente a maior conquista de Valinhos na área da saúde.
Sua trajetória nunca foi das mais fáceis ou tranquila. Ao contrário, a Santa Casa ao longo de toda sua história enfrentou crises e mais crises com altivez e determinação com o único objetivo: salvar vidas. O próprio Bepe encabeçou diversas campanhas com o intuito de arrecadar fundos para manter os trabalhos ou promover benfeitorias estruturais. Em todas elas a comunidade respondeu e compareceu para colaborar e nossas páginas são testemunhas dessas ações.
A crise da Santa Casa de Valinhos não é uma particularidade da nossa Santa Casa, mas de todas as Santas Casas do Brasil e hospitais de cunho filantrópico que dependem de repasses do Sistema Único de Saúde (SUS), que é uma vergonha.
Para tentar minimizar esse cenário, a Prefeitura tem um contrato com o hospital e lhe faz repasses mensalmente. Aliás, cabe aqui ressaltar que nesse caso a Prefeitura não pode ser culpada pelo não pagamento dos salários dos funcionários. Somente este ano, segundo informações da Assessoria de Imprensa da Prefeitura, já foram repassados para o hospital R$ 20,5 milhões, contra R$ 12 milhões previstos.
Também não se pode atribuir isso a má gestão do hospital, como algumas pessoas gostam de propagar pelas redes sociais. Aliás, esses só sabem achar culpados, pois nunca participam de nada e tampouco se colocam a disposição da Santa Casa para uma ação, mesmo que seja voluntária.
Administrar um hospital é algo da mais alta complexidade. E sabemos que todos que já passaram pela mesa administrativa ou que ali já estiveram procuraram fazer o melhor. A certeza é que o fizeram, do contrário a Santa Casa já teria fechado suas portas.
Não bastasse a complexidade, fatores externos como a grave crise econômica que o país atravessa afeta a todos, indistintamente, mas instituições filantrópicas em particular são atingidas em cheio, pois sofrem quedas em suas receitas das mais diversas formas.
A Santa Casa de Valinhos chega aos seus 56 anos com novos desafios e a Campanha Apaixonados por Saúde é uma resposta clara que ainda há pessoas interessadas em oferecer o melhor para que a Santa Casa possa continuar atendendo com excelência a todos os que lá chegam.