A praça

“A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, mas estou triste
Porque não tenho você perto de mim”
Ronnie Von - 1967

Quando o prefeito Vicente Marchiori inaugurou a praça Washington Luís, em dezembro de 1967, a cidade passava por um novo período de urbanização. O terreno que pertencia a antiga Chácara Ribeiro possibilitou também uma melhor distribuição do sistema viário da época, como a ligação da Rua 15 de Novembro com a Avenida Don Nery, principal ligação com Campinas.
Foi neste mesmo ano que o cantor Ronnie Von lançou um de seus grandes sucessos:  A música “A Praça” marcou época e referendava bem o quanto esse espaço público era importante para a cidade e os cidadãos. Afinal, a praça era espaço de sociabilização e integração.
Naquela a praça, que recebeu o nome do 13º presidente do Brasil, impactou a comunidade. Foi um marco no urbanismo local; um belo projeto que contava, inclusive, com fonte luminosa. Foi no entorno dessa praça que muitas histórias se cruzaram, muitas crianças e seus pais ali viveram o deleite de uma infância mediada pela rotina bucólica. Difícil não lembrar da imagem do Seu Mário Pipoqueiro que, quase diariamente, ali estava para atender aos pais e as crianças ávidas pela pipoca ou pela gelatina vermelha.
E inegável a importância da Praça Washington Luís para a cidade. Ali grandes eventos foram realizados entre eles, como a 20º Festa do Figo, em 1970, inaugurando o espaço como opção para realização do que se tornaria nosso maior evento turístico. A lista de eventos é infindável, prova maior que as cidades, embora cresçam e se desenvolvam, precisam desse tipo de espaço. 
A Washington Luís do século XX, assim como muitos centros de cidades, perderam a função de centralidade, também precisava ser reorganizada e reurbanizada a luz do século XXI. 
Aquele espaço público que por anos ficou intocável e quase imperceptível pela maioria da população começou a receber obras de melhorias, e então o sinal de alerta foi acionado e a praça invisível passou a fazer parte novamente de nosso cotidiano.  
Algumas críticas bem intencionadas sempre são bem vindas. Contudo, alguns incautos e “auto-denominados” defensores da moralidade pública abusam do direito de se expressar para tripudiar ou repudiar a ação ali ora realizada porque a população não foi consultada. Absurdo! 
Fato é que a reforma da praça Washington Luís estava prevista no Plano de Governo apresentado pelo prefeito Clayton Machado (PSDB) durante a campanha de 2012. Contudo, para algumas pessoas, o prefeito não deve realizar obras ou ações em ano de eleição, pois isso soa eleitoreiro. Ou seja, em ano eleitoral a cidade para?
Prestes a receber as Olimpíadas, o Rio de Janeiro realizou uma grande intervenção na região portuária. Aqui, a derrubada do pombal causou alvoroço e debates que misturaram defesa de patrimônio histórico com a o direito de habitação dos pombos. Nos anos 1990, uma grande incidência de doenças e piolho de pombas surgiu na praça e uma ação de saúde teve que ali ser realizada, inclusive a vedação dos espaços destinados aos pombos.
A música de Ronnie Von legitimou e retratou um momento. “A mesma praça, o mesmo banco...” pode continuar existindo e coexistindo com os novos tempos, agora mediados pela tecnologia, por espaços que contemplem a forma diferenciada da juventude de se ambientar e paquerar nos espaços públicos, que garanta espaço a mãe e seus filhos de curtir um playground novo e moderno. Ou esses que criticaram a derrubada do pombal vão defender o retorno das gangorras, escorregador e balanços ali colocados no dia da inauguração porque também compõe o patrimônio histórico?