Os 115 anos do figo

Neste sábado, começa o principal evento turístico da cidade. Movimentando mais de 600 pessoas na organização, a Festa do Figo dá a largada para que nos próximos 15 dias a cidade respire suas histórias e origens que proporcionaram seu desenvolvimento até Valinhos ser conhecida nacionalmente como a Capital do Figo Roxo.
A edição deste ano retoma uma data importante: em 2016 são 115 anos da chegada do figo na cidade, introduzido pelo italiano da região de Verona, Lino Busato. Ele viveu em Valinhos entre 1891 e 1917, segundo relato de sua filha Ignez Busato Speroni, documentado na revista Figo - A flor que projetou Valinhos. No entando, sua chegada à cidade, de acordo com o livro “Os 100 destaques de Valinhos deste século”, de José Spadaccia, mostra que os primeiros membros da família Busato vieram da Itália em 1888.
A família Busato deu o pontapé para que outras famílias plantassem o figo em suas propriedades e desenvolvessem a cultura. Brugliato, Previtali, Trombetta e tantas outras ajudaram a impulsionar a cidade economômicamente e até mesmo no processo emancipatório, mostrando que Valinhos tinha capacidade de se tornar autônoma e seguir o próprio caminho para ter a sua história. Neste ano, segundo levantamento do Sindicato Rural, são 38 produtores que comporam o Pavilhão na exposição de venda de frutas, como, além do figo, goiaba, uvas e outras.
O figo também foi o responsável pela contrução da Igreja Matriz, ideia gestada pelo padre Manoel Guinout e concretizada por Bruno Nardini.
São estes elementos tradicionais e característicos que são resgatados com a Festa do Figo. Há também a venda e a disputa de frutas, o leilão de animais, o Desfile de Cavaleiros, os sotaques ajudaram a gerar Valinhos espalhados por 15 dias em um mesmo lugar. O evento, reconhecido como um patrimônio cultural de São Paulo, atrai o olhar de visitantes de toda a região, até mesmo de cidades mais distantes como São Paulo. A importância é tamanha que a divulgação pela rainha e princesas da festa percorre várias cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) até chagar ao Palácio dos Bandeirantes. Inclusive, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) confirmou presença no evento.
A festa é uma oportunidade para conhecer como os agricultores cultivam o figo, visitar as plantações de famílias radicadas na cidade há décadas e mantém a cultura passando por gerações.
A participação voluntariada é outro DNA presente na Festa do Figo. Clube de Mães, Fundo Social e a Asserutil marcam presença no evento turístico.
A Asserutil, inclusive, comanda a barraca de lanches em um espaço próprio dentro do Parque Municipal. Além disso, organiza área de estacionamento com 3 mil vagas e seguro completo. O custo é R$ 15, o mesmo valor de 2015. Todo o valor arrecadado nos dois itens é revertido para as entidades assistenciais que compõem a Asserutil.
Pelo tamanho e representatividade, a organização da Festa do Figo exige um trabalho árduo de uma Comissão Organizadora composta por membros das entidades que participam do evento e de todas as secretarias. Apenas para se ter uma ideia da infraestrutura, o esquema de segurança evolve um efetivo de mescla guardas municipais, no interior do Parque, e a Polícia Militar, na área externa.
A Festa do Figo abre as suas portas para trazer de volta, em meio a um ambiente tumultuado do século XXI os pilares da construção de Valinhos, conhecida nacionalmente como, a Capital do Figo Roxo.