O que esperar dos novos

Um passo importante foi dado ontem, 16, quando ocorreu a diplomação dos eleitos pela Justiça Eleitoral. O ato, após o referendo das urnas do último dia 2 de outubro, habilita prefeito, vice-prefeito e os 17 vereadores a ocuparem seus respectivos cargos no próximo dia 1o de janeiro.
Há por parte da sociedade brasileira e da valinhense em particular uma grande expectativa em torno desse novo ciclo de governo que irá se iniciar. Uma expectativa pautada especialmente pela situação que o Brasil está vivendo nesse momento traumático de Lava Jato, suas descobertas aberrantes e bilionárias e uma lista pós-delação da Odebrecht, que mostrou que o país tinha um dono e que a República, a boa e velha República, foi vendida por uma corja de corruptos que, ainda tenta no tapetão se safar das barras dos tribunais e de futuras punições.
A sociedade brasileira, hoje com uma bagagem de 12 milhões de desempregados, além de aviltada em seus mais básicos direitos, se vê diante de uma crise econômica e institucional sem precedentes, causada por malandragens e desmandos dos petistas que, culminou com o traumático processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
A sociedade pós-impeachment ainda teve que acompanhar e torcer para que o processo de cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), não acabasse em pizza e, como no Brasil tudo rola como num roteiro de novela, os próximos capítulos foram: o governo Michel Temer (PMDB) derreteu-se em poucos meses e nossa crise institucional só aumentou e temos agora que assistir perplexos a trama e a disputa maniqueísta entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.
Então, porque ainda temos expectativas e esperanças em relação ao futuro?
Neste último mês, tivemos a prisão da prefeita de Ribeirão Preto, dos vereadores de Osasco e esta semana dos vereadores de Foz do Iguaçu. Que pais é esse?
Então, em partes, está nas mãos dos futuros prefeitos e vereadores mostrar ao mundo e aos brasileiros que a classe política e a política brasileira não se resumem a um bando de inconsequentes que dilapidaram nosso patrimônio.
É nas cidades que estão as necessidades básicas dos brasileiros; é na cidade que a verdadeira ação e vontade política deve acontecer. Política deveria ser exercida como um sacerdócio e não como uma profissão de barganhas entre corruptos e corruptores.
A partir do dia 1o de janeiro, Dr. Orestes Previtalle e Laís Helena, ambos do PMDB, assumem o Palácio da Independência e 17 vereadores tomam posse de suas cadeiras na Câmara Municipal. Esta será a 16a Legislatura e o 16o prefeito a tomar posse após a emancipação político-administrativa de Valinhos, ocorrida em 1955.
A cidade mudou muito e se moldou aos novos tempos. Tempos ávidos por respostas rápidas e de cidadãos inconsequentes prontos para acusar, julgar e enxovalhar qualquer um que esteja a frente de um cargo público. As redes sociais irão ditar a agenda e o ritmo do novo governo municipal, assim como fez com o governo que se finda, do prefeito Clayton Machado (PSDB).
Sabemos que ao longo dos seis primeiros meses de qualquer novo governo, seus erros, mazelas, atrasos e falta de habilidades serão justificados como sendo herança do governo que saiu. Até aí tudo bem, é normal. Contudo, passado esse período, o filho “cai direto no colo”, daquele que foi legitimado pelas urnas. A partir daí não há mais desculpas.
Lá do outro lado, renovada em mais de 50%, estará a Câmara e seus novos ocupantes, sendo maioria absoluta base do futuro prefeito. A expectativa da população é de que os nobres edis não atuem simplesmente como meros despachantes.  Iremos ter uma noção exata de como irá se comportar nosso legislativo já na sua primeira sessão, quando ocorre a escolha de seu presidente. Na maioria das vezes, uma simples eleição, onde apenas 17 votos estão em jogo, derruba todo o castelo de cartas que cuidadosamente acreditou-se estar edificando.