O caos desnecessário

Protestos de estudantes, protestos de servidores, descontentamento da Guarda Civil Municipal, deflagração de greve dos funcionários  da Santa Casa de Valinhos. Tudo isso num período de pouco mais de um mês e 20 dias de governo. Muita gente está assustada com a situação.
Claro que toda troca de governo  gera desconforto e até mesmo inconformismo em algumas pessoas, ao mesmo tempo que gera expectativa e esperança em outra parte. Mas, nesses 62 anos de Emancipação Político-Administrativa poucas vezes se viu um governo começar com tantas linhas de frentes de descontentes.
Também entendemos que os tempos são bem outros. Os ex-prefeitos Marcos José da Silva e Vitório H. Antoniazzi, não pegaram essa fase das Redes Sociais, que deu voz a muita gente boa, mas também deu a muitos imbecis. Já o ex-prefeito Clayton Machado (PSDB) pegou o auge dessa nova fase que o mundo vive, das notícias falsas (também conhecida no meio acadêmico como pós-verdade).
Provavelmente Dr. Orestes irá  sofrer bem mais com as Redes Sociais do que o ex-prefeito Clayton sofreu, onde a mentira, a ira, a intriga, abuso do direito de se expressar irão comprometer ainda mais a estabilidade administrativa.
Voltamos ao discurso inaugural do governo Orestes Previtale: “Vou combater a infecção e não a febre”. Talvez resida ai, nesta breve colocação do Chefe do Executivo a linha a ser adotada no seu governo. Contudo, combater a infecção exige muitas vezes a utilização de “doses cavalares de antibiótico e, ele como médico que é sabe que neste tipo de terapia o paciente fica vulnerável e com a imunidade baixa, correndo até mesmo risco de vida ou nos piores do cenário a “bactéria” causadora da infecção ganha mais resistência e a infecção se generalize comprometendo tudo.
Concordamos que é necessário combater a infecção. Mas defendemos o uso de uma terapia mais moderada, com doses de diálogos e mediações de conflitos aonde as duas partes venham a se beneficiar. Sabemos que a situação financeira da Prefeitura não é das melhores, mas isso não acontece apenas com Valinhos, varias cidades estão em situações similares ou pior do que a nossa.
Esta semana funcionários da Santa Casa entraram em greve, que terminou na quinta-feira, 15, pela manhã. Motivo: falta de pagamento ocasionado em partes pela falta de repasse da Prefeitura que é a responsável na cidade pela gestão do SUS. Desde o final do ano, ainda durante o período de transição, o prefeito e sua equipe já tinham conhecimento da situação do hospital, mas mesmo assim não repassaram o essencial e o que é de direito.
Na mesa de negociação não havia diálogo com o Poder Público. A desculpa da crise e da situação financeira da Prefeitura coloca em risco o básico do direito à saúde. A Folha de Valinhos sempre acompanhou a Santa Casa e sempre contribuiu na mobilização da comunidade valinhense em defesa do hospital. Mas, jamais presenciou um governo municipal ignorando seus apelos. No frigir dos ovos, quem irá sofrer com isso será o mais carente, aquele que não tem plano de saúde e nem condições de pagar particular e também os funcionários desta instituição que já foi sinônimo de orgulho de Valinhos.
Há uma tese perigosa entre governantes em início de mandato, especialmente aqueles que costumam ouvir assessores que passam a vida distante do povo, de que a “maldade” ou o “remédio amargo” tem que ser dado logo no inicio da administração, pois a imagem deles pode ser recuperada nos dois últimos anos do governo. Uma tese falida, embora fazer gestão em alguns casos exige postura firme e planejamento. Os tempos são outros e talvez Orestes por ouvir esse tipo de assessor possa comprometer sua imagem política para sempre. É preciso diálogo, paciência, determinação, mediação e ação neste inicio. Do contrário de cria um caos desnecessário.