Novo governo, a mesma realidade

Ao tomar posse no dia 1º de janeiro de 2017, Dr. Orestes Previtale (PMDB) irá dar início não apenas a um novo ciclo político-administrativo, mas a uma gestão que estará permeada pelas consequências da atual crise econômica e que deverá exigir de sua equipe mais do que criatividade para superar todos os desafios que uma cidade como Valinhos, com seu padrão e qualidade de vida, impõe à seus administradores.
O orçamento previsto para o primeiro ano de exercício de Dr. Orestes já está na Câmara Municipal e é fruto do atual cenário macroeconômico, com desaceleração da economia, inflação e juros altos que impôs e continuará impondo, ao menos em 2017, quedas sucessivas no repasse de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), uma das principais fontes de receitas da municipalidade. Da ordem de R$ 486,5 milhões, o orçamento global, a primeira vista dá a impressão de ser robusto. Contudo, o mesmo precisa ser fatiado entre Departamento de Águas e Esgotos de Valinhos (DAEV) e Valiprev.
Desta forma o orçamento fica reduzido a R$ 377 milhões, mas ainda é preciso tirar 4,9%, ou R$ 18,6 milhões, que pertencem à Câmara Municipal. Sobram então ao orçamento da Prefeitura, que diretamente terá como gestor o novo prefeito, a quantia de R$ 360,3 milhões. Ao analisar o orçamento a nova equipe logo irá perceber que não há espaço ou sobra para investimentos em novas obras ou projetos, nem tampouco para atender aos anseios do servidor público por aumento real. 
Para se ter uma ideia de como a crise anda afetando as finanças municipais, no mês de setembro de 2014 o repasse da cota parte de ICMS de Valinhos chegou a R$ 7,3 milhões; em setembro de 2015 caiu para R$ 6,6 milhões e agora, no auge da crise, Valinhos recebeu apenas R$ 5,1 milhão, uma queda de 42% que impactou numa perda real de R$ 2,1 milhão em dois anos, isso em apenas um mês observado. 
Ainda que Dr. Orestes irá colher os frutos da boa gestão da economia local praticada pelo prefeito Clayton Machado (PSDB), que nestes seus quatro anos conseguiu atrair para o município investimentos privados da ordem de R$ 1,1 bi, o  maior aporte privado das últimas três décadas. Entre as novas empresas que chegaram estão a Bionovis e Weidmann e também os aportes de empresas como a Unilever que anunciou recentemente investimentos de R$ 200 milhões na planta da Dove. Como o ICMS apurado num ano só chega aos cofres do município dois anos depois, em 2018 o governo de Dr. Orestes poderá desfrutar de uma situação um pouco melhor do que a deste início de mandato.
Essa politica de atração de novas empresas e a manutenção das que aqui estão instaladas devem ser realizadas dioturnamente pelo novo governo, especialmente no que se refere ao atendimento do empresário ou investidor. Neste sentido, temos de parabenizar o governo de Clayton Machado e sua equipe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico por tudo o que foi feito. 
Outro fator que deverá ajudar muito o novo governo municipal será a aprovação da PEC 241, que cria teto para os gastos públicos, congelando as despesas do Governo Federal por até 20 anos, sendo permitida apenas a correção pela inflação e irá impactar diretamente nos municípios.
Ao tomar posse no dia 1º de janeiro, o novo governo municipal terá ainda três meses de namoro e lua de mel para dar conta dos desafios que terá pela frente, quais serão suas prioridades de gestão e definir como vai equacionar suas despesas e receitas a luz de um novo tempo da macroeconomia e de uma gestão fiscal que ainda continuará rigorosa em função da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ou seja, manter o equilíbrio entre uma receita exígua e uma receita que cai mensalmente, tendo ainda que lidar com as pressões de todos os tipos, especialmente de alguns segmentos dos servidores.