Mulheres e homens do mesmo lado

André Reis

Instituído oficialmente em 1975, pela Organização das Nações Unidas – ONU – o Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de março é fruto de décadas e décadas de lutas das mulheres por melhores condições de vida, de trabalho e direito ao voto, desencadeadas no final do século XIX, quase que simultaneamente nos Estados unidos e na Europa.
Em que pese a importância da oficialização da data pela ONU apenas na década de 70 do século XX, ela já vinha sendo comemorada informalmente em vários países do mundo de 1909.
É inegável que neste pouco mais de um século de lutas, importantes avanços e conquistas aconteceram em relação a sociedade machista que, por muito tempo, tutelava as mulheres e as submetias à regras de trabalho e condições de vida diferente dos homens.
Verdade também, que há sim muitos avanços e conquistas para que de fato a mulher obtenha seu papel de protagonista nas mais diversas áreas, notadamente no campo do trabalho, onde não bastasse as regras diferenciadas ainda há também os problemas de assédio, abuso e agressão sexual.
Contudo, imperativo que se evite que o direito das mulheres, neste avançar de século XXI e capitaneado por movimentos e modismos feministas, não desencadeie numa bandeira sexista ou numa “guerra dos sexos”.
Desde o surgimento do movimento Me Too (eu também) em 2017, contra o assédio sexual e a agressão sexual, reforçado sobremaneira através das redes sociais, atrizes e influenciadoras digitais no afã de que tudo se configura machismo, iniciaram uma verdadeira guerra contra os homens e, em alguns casos de maneira generalizada, colocando todos os homens na vala comum dos assediadores, feminicidas ou machistas.
O movimento rapidamente chegou ao Brasil e, de imediato foi capitaneado pelas atrizes ‘globais’ e influenciadoras digitais no auge das denúncias de assédio contra o ator José Mayer protagonista da novela ‘A lei do amor’, acusado de assediar uma figurinista da equipe. O ator, num primeiro momento, foi afastado e depois desligado da Rede Globo.
As atrizes criaram um slogan - ‘mexeu com uma mexeu com todas’ - para o movimento e, produziram camisetas e foram para as redes sociais. Desde então, o movimento feminista ganhou projeção no Brasil, sobretudo em relação a algumas atitudes e ações de cunho sexista e machista do atual presidente Jair Bolsonaro.
Novamente, para algumas feministas todos os homens são iguais e, sendo assim, referendam o machismo que aqui ainda impera. A situação ganha contornos preocupantes pois, o que poderia de fato servir para o empoderamento das mulheres e a conquistas de suas legitimas reivindicações, notadamente contra homens violentos e que cometem feminicídio, acabou virando bandeira política, sendo uma parte alinhada à direita e outra à esquerda.
E o pior, recentemente a atriz Regina Duarte, ao receber o convite para assumir a Secretaria Especial de Cultura do governo Federal foi bombardeada – através das redes sociais – pelo ator José Abreu e, ninguém do movimento ‘mexeu com uma mexeu com todas’ saiu em sua defesa. Pior, se omitiram e ficaram caladas.
Esta semana a Hering, pegou carona na ‘vibe’ feminista e chamou a atriz Mariana Ximenes para participar da campanha ‘Liberdade é básico’.  Pasmem, olha onde empresa e atriz vão se apegar: abolir o termo ‘tomara que caia’, aquela blusinha básica que as mulheres usam, especialmente no verão, mostrando os ombros. Segundo a marca, se trata de um termo sexista e machista e, o certo é blusa sem alça.
Isso é o que podemos chamar não ter mais o que fazer! É levar a um nível estupido uma discussão que nada vai acrescentar para o fim do machismo. O que importa neste caso é a exposição da marca – que ganhou inclusive a capa da Revista Bazzar, onde aparece a foto da atriz com o slogan ‘Tomara que caia o sexismo. Vista uma blusa sem alça’. O quanto o mundo ficou melhor com essa estupidez? O quanto homens e mulheres, ganharam com  essa campanha?
As mulheres merecem respeito e o protagonismo do presente tempo. Mas é preciso ambos, homens e mulheres, caminharem juntos por um mundo melhor e sem rótulos.