A gestão da saúde

Louvável a iniciativa dos três municípios – Valinhos, Vinhedo e Itatiba – em criar um Consórcio para administrar as redes de saúde. Há muito a população espera por uma noticia a respeito da saúde pública que saia do senso comum, onde a falta de recursos, de médicos, de medicamentos, entre outras situações, não mudam o quadro atual. A principal consequência é que o cidadão continua sendo penalizado.
Embora não se trate de uma medida inovadora, pois os consórcios existem desde a década de 90 do século passado, para as áreas de saúde de Valinhos, Vinhedo e Itatiba a iniciativa é nova, pois até então ninguém havia optado por pensar “fora da caixa”.
Nesse sentido, parabéns aos três prefeitos que não estão medindo esforços para que isso venha ser viabilizado. Mais que isso, estão demonstrando vontade política. Na última quinta-feira, 24, o trio esteve em São Paulo em audiência com o Secretário de Estado da Saúde de São Paulo, David Uip, para obter o apoio do Governo do Estado à iniciativa que, caso funcione, poderá servir de modelo para outras cidades.
Dados já levantados pela equipe técnica formada para tratar desse assunto mostram que 51,5% da população de 280 mil habitantes (somadas as três cidades), dependem exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde), fato este que vem se agravando cada vez mais com a atual crise econômica, onde as famílias, pela necessidade de contenção de gastos, estão abandonando os planos privados e voltando ao SUS. Estamos falando de um universo de 144,2 mil pessoas que diuturnamente precisam de atendimento básico, de urgência ou emergência. 
Com a proposta de “criar uma rede acolhedora que acompanhe as mudanças da sociedade”, este consórcio também quer estabelecer uma rede menos burocrática e mais eficiente. Se isso acontecer, o ganho qualitativo no atendimento da população por si só será enorme. Isso irá contribuir, e muito, para a saúde desses que dependem da burocracia para agendar uma consulta ou um exame e que, após o diagnóstico em mãos, ainda precisam ficar na expectativa de que o medicamento prescrito será encontrado na farmácia da rede.
Diariamente o noticiário nos dá conta da falta de respeito do Poder Público com a população que depende do SUS. No tocante aos medicamentos, a burocracia na compra deles leva em média três meses. Isso coloca em risco a vida de muitos pacientes.
Em que pese o SUS ser um sistema muito elogiado mundo afora, e até mesmo um modelo a ser seguido, sabemos que os governos estadual e federal não honram com os compromissos legais que tem com os municípios, que são abandonados à própria sorte na gestão deste modelo, notadamente no que tange ao repasse de recursos.
A proposta de um novo modelo de gestão da saúde nasce em um contexto um pouco mais privilegiado do que muitas cidades brasileiras. Afinal de contas, Valinhos, Vinhedo e Itatiba representam um contexto social e econômico bem diferenciado, mas que mesmo assim sofrem com o modelo atual e com o agravamento da crise.
Inovação. Provavelmente essa seja a palavra que melhor reflita essa união entre as três cidades para viabilizar um novo modelo de gestão. Sim, mesmo em se tratando de empresa pública, a inovação precisa e deve estar presente, do contrário não há como acompanhar as “mudanças da sociedade”. O engajamento de todos os envolvidos e a disposição de cada uma das cidades em querer dividir e somar seus atributos e suas experiências nesse processo de formulação vai ditar se tal iniciativa terá ou não sucesso.
Só o fato de haver entendimento que a saúde é uma área estratégica e prioritária na gestão das cidades e, que por conta disso, seus gestores não podem ficar de “braços cruzados”, demonstra que é imperativo que haja diálogo e entendimento. Só assim os prefeitos irão encontrar a solução de problemas comuns, como é o caso da saúde.