Futebol feminino em alta

A liguagem universal é o futebol. O esporte mais popular do mundo se tornou uma grande fonte de investimentos e é capaz de girar bilhões por ano através de ações de marketing de federações e confederações, campeonatos, participações de patrocinadores, planejamento com sócios torcedores feito pelos times, licenciamento de produtos oficiais. Uma infinidade de caminhos tranformaram o futebol em um esporte que além do jogo é capaz de fazer parte da roda capitalista e movimento um montante incalculável. A China, hoje, é o maior exemplo. As equipes do país chegaram a investir mais de R$ 40 milhões para tirar jogadores que atuaram no Brasil em 2015. Todo esse aporte foi possível graças a uma política econômica que o governo chinês implantou dando incentivos fiscais aos clubes para fomentar o futebol no país.
Este panorama de cifras milionárias é uma meia verdade. Os clubes de futebol de interior respiram com ajuda de aparelhos, os salários astromônicos representam uma mímina fatia de jogadores, enquanto que  a maioria massacrante passa o ano desempregado, faz contratos por período e precisa dividir o futebol com outra profissão para garantir uma renda extra. Quem não se lembra do exemplo do Taiti, carismática seleção que disputou a Copa das Confederações em 2013 com todos os jogadores sendo semi profissionais.
A relidade fica mais dura quando abrimos a discussão com o futebol feminino. Poucas equipes apostam na modalidade e as que tentam algum incentivo concentram os maiores esforços no departamento de futebol masculino. Os cartolas argumentam custos altos que geram pouca receita, tornando os projetos voláteis.
A última equipe que apostou no futebol feminino foi o Santos, trazendo craques como a Marta, quatro vezes eleita a melhor do mundo e Bola de Ouro da Fifa. O projeto tornou-se efêmero e diluiu-se. O atual presidente Modesto Roma Júnior tenta reerguer, ainda sem o mesmo brilho, com o Sereias da Vila.
Valinhos tenta entrar na briga e fazer do futebol feminino uma realidade. Recentemente, a equipe firmou uma parceria com o Guarani, que garante que o clube seja responsável pelo pagamento de taxas de inscrições na Federação Paulista de Futebol, fornecimento de uniforme de jogo e treino. Já a Secretaria de Esportes fica incumbida da comissão técnica, do elenco e do transporte terrestre dentro de São Paulo para a disputa de campeonatos.
Os primeiros frutos começam a ser colhidos. Quatro jogadoras foram convocadas pela Seleção Brasileira Sub-17 para a disputa do Campeonato Sulamericano da categoria, na Venezuela. Rayane Souza, Isabela Fernandes, Camila Silva e Kerolin Nicoli viajaram com a delegaçaõ na sexta-feira, 26. Esta não é a primeira convocação de jogadoras da equipe de Valinhos para seleções de base. As jogadoras estão conseguindo ter experiência e maturidade também através de amistosos.
Engana-se quem ou a empresa que tenha receio em investir no futebol feminino. Temos a eleita quatro vezes melhor do mundo de forma consecutiva - 2006 a 2009 - Marta, uma Seleção Brasileira que para na Copa do Mundo e Olimpíadas apenas para as poderosas Suécia e Estados Unidos, já que se os investimentos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) fossem aplicados de forma correta teríamos a chance de ser uma potência. O que falta nos dirigentes que comandam o futebol é a percepção e a vontade que Valinhos teve em olhar para as atletas e buscar parcerias  para fortalecer o esporte na categoria feminina, que tem diamantes a serem lapidados e que merecem a mesma oportunidade.