É um dever de todos

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) fechará o ano de 2015 com mais de 108 mil casos de dengue. A taxa é 150% superior ao total de casos registrados em todas as cidades do estado de São Paulo. Até o final de setembro, os casos nas 20 cidades que compõem a RMC apontavam uma nova vítima a cada 28 moradores, enquanto que o média geral no estado é de um para 70 pessoas. Os números são do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP).
Em Campinas, capital da RMC com mais de 1, 1 milhão de habitantes, são, até agora, mais de 64 mil infectados. Valinhos, contando o último balanço realizado até 10 deste mês apontava 1.084 casos, número acima do que foi registrado em 2014.
Apesar da dengue ser contraída durante todo o ano, é no período de chuva que ela se prolifera em decorrência do grande volume de chuvas, o que provoca acumulo de água em entulhos em quintais e terrenos abandonados. É neste ponto que entra a parte e a responsabilidade da população.
A Folha de Valinhos traz em matéria na página 6 o exemplo do desleixo de alguns moradores. No quintal flagrado pela reportagem, é possível encontrar a carcaçade um Fusca, vaso sanitário, madeiras, mato alto, sofá rasgado e um ambiente propício para ser a fonte de recebero mosquito transmissor da dengue.
Do outro lado do muro, temos o exemplo de uma moradora consciente. Além de o quintal estar com boas condições de limpeza, Maria Tereza rega as plantas de modo que não acumule água no vaso. Além disso, aproveita a água da chuva que fica armazenada em um tambor fechado para lavar o quintal e os carros. Consciência em evitar manter um local que possa se devolver a dengue e educação sustentável com o reaproveitamento de água.
Estas duas situações tão próximas, separadas apenas por um muro mostra que a dicotomia de pensamento é a barreira que precisa ser quebrada para combater a dengue.
Ações de políticas públicas como operações cata-bagulho, multar moradores que mantém berço para a dengue, fiscalizar terrenos e autuar os proprietários devem ser condutas sistemáticas.
Ainda mais no bairro em que estes dois personagens moram: o Manacás é considerado pela Secretaria de Saúde de Valinhos dentro da área crítica, ao lado de outros 16 bairros.
Por outro lado, a população precisa ficar atenta ao problema e fazer a sua parte para equalizar o problema. A dengue é uma guerra conjunta entre prefeituras e sociedade. O descarte regular e correto de entulhos e limpeza dos terrenos e quintais por proprietários e moradores deveriam ser ações comuns, até mesmo de higiene. Se isso se tornar postura recorrente, o combate à dengue torna-se mais eficaz. A assessoria da Secretaria do Estado da Saúde informou, por meio de nota, que as ações de campo para controle do mosquito transmissor da dengue são de competência das prefeituras, conforme preconiza o Sistema Único de Saúde (SUS).
Por conta disso, em reunião do Conselho Metropolitano da Região de Campinas (RMC), realizada na sexta- -feira, 11, em Campinas, os prefeitos das 20 cidades decidiram que as ações contra a dengue serão centralizadas no gabinete do prefeito e não mais na Secretaria de Saúde, como vinha ocorrendo. De acordo com as deliberações, será montado um comitê intersetorial ligado aos gabinetes dos prefeitos, com representantes de todas as secretarias. Também ficou definido que os prefeitos buscarão auxílio financeiro externo, como, por exemplo, a possibilidade de utilizar o Fundo de Desenvolvimento da RMC (Fundocamp) para dar suporte às ações.