É possível reverter?

Uma notícia esta semana pegou a cidade se surpresa. A diretoria da WestRock (antiga Rigesa) anunciou na última segunda-feira, 18, o encerramento das operações da fábrica de papelão ondulado em Valinhos e sua transferência para a cidade de Porto Feliz. A Folha de Valinhos já havia noticiado em abril a possibilidade da fábrica deixar Valinhos, mas na ocasião à assessoria de imprensa da empresa negou. Dito e feito.
Estranhamente este roteiro já vinha sendo escrito há alguns anos. Quem acompanha o noticiário local, antes mesmo de o grupo americano comprar a Rigesa, a empresa começou a dar sinais do seu “desmonte” na cidade quando se desfez do ADC Rigesa, o clube dos funcionários da empresa; na sequência fechou sua gráfica que funcionava às margens da Rodovia Anhanguera – ao lado dos Correios; depois anunciou a transferência da fábrica de papel para a cidade de Três Barras, em Santa Catarina.
Até então, não demonstrava sinais de cortar de vez o vinculo com a cidade onde nasceu há 74 anos. Ledo engano. No mundo globalizado, a empresas transnacionais não fazem muita questão de manter vínculos com a comunidade. Para elas, que atuam no mercado mundial, construir uma fábrica, dotá-la de equipamentos mais modernos e promover uma transferência visando mais lucro é tão básico como trocar um móvel de lugar.
E, em que pese às discussões irracionais e sem nexo, travadas nas redes sociais, o governo do prefeito Orestes Previtale (PMDB) não tem culpa de isso estar acontecendo. Se esse anuncio tivesse sido feito em meados do século XX, no auge da “guerra fiscal”, talvez poderíamos buscar um culpado e crucificá-lo por sua falta de ação. Não é esse o caso.
A empresa, que antes possuía em sua diretoria vários valinhenses, optou por mudar sua operação para outra cidade em partes alegando que quer construir uma fábrica mais moderna do grupo no segmento de papelão ondulado, com equipamentos modernos e praticamente usando a metade da mão de obra atual. E alegava também que na atual planta isso não era possível.
Nossos empregos e as famílias por eles mantidos não entram na conta da empresa. Tão pouco o passivo ambiental que ela, ao longo de 64 anos causou a cidade que a abrigou com total desprendimento, vai entrar nessa conta.
Resta agora se perguntar: é possível reverter essa situação? Como? Quem vai liderar esse movimento - a WestRock (Rigesa) é Nossa! Cabe ao prefeito, através da sua Secretaria de Desenvolvimento Econômico, abrir um diálogo e tentar reverter. Sempre entendendo que, no caso das transnacionais, quem tomou essa decisão (claro que, com base em informações da planta de Valinhos) estava sentado numa sala confortável em uma de suas plantas nos Estados Unidos e muitos distante de nossas aspirações comunitárias.
Também cabe aqui questionar: e se o quadro não for revertido? Como ficará essa área localizada entre a Rua Antônio Carlos, a linha férrea a e a Avenida dos Imigrantes? São mais de 160 mil metros quadrados que podem redefinir o futuro da região central da cidade, tanto no âmbito da dinâmica comercial, como para nosso sistema viário.
A saída da WestRock do centro da cidade abre aos responsáveis pelo planejamento da cidade a possibilidade de um importante exercício de futurologia. Pensar a região central com novas possibilidades de serviços e comércio pode compensar a grande perda de arrecadação que a cidade terá a partir de 2020. Qual o destino que se dará a essa imensa área? E a área das lagoas do seu tratamento de efluentes? Que tal projetar o prolongamento da Avenida dos imigrantes, margeando a via férrea até sua ligação com a Avenida Paulista? Que tal a Prefeitura entrar em negociação com a empresa para que ela doe toda a área de suas lagoas (como forma de compensar as perdas que irá causar) e lá se construir uma grande área de lazer nos mesmos moldes do CLT, para atender aos moradores da região do Bom Retiro?
Se conseguirmos reverter à situação, ótimo. Do contrário, ao invés de chorar pelo “leite derramado”, vamos pensar nas oportunidades que isso trará para a cidade.