Dia do comerciante

Na próxima segunda-feira, dia 16, é comemorado o Dia do Comerciante. Em um país de altos e baixos na economia, esse profissional que tem por missão exercer uma das atividades mais antigas do mundo, é de fato um guerreiro.
Criado no dia 26 de outubro de 1953, com a promulgação da Lei 2.048, o Dia do Comerciante homenageia o nascimento de José Maria da Silva Lisboa, mais conhecido por Visconde de Cairu, o Patrono do Comércio Brasileiro. Ele foi o responsável pela criação das primeiras leis que beneficiariam o comércio brasileiro, que antes era totalmente dependente de Portugal.
A abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior, em janeiro de 1808, pelo rei D. João VI, foi resultado de seu trabalho como conselheiro do rei.
História à parte, é inegável a importância do comércio para a economia e para o desenvolvimento do país, sendo um dos principais geradores de emprego e renda. Em maio, durante a greve dos caminhoneiros, o setor foi um dos mais prejudicado com o desabastecimento. Não bastasse isso, veio a Copa do Mundo e o fato do brasileiro não estar tão animado, não ajudou as vendas. Agora, a chegada do inverno e a queda na temperatura, traz uma nova motivação aos comerciantes.
Atuar neste setor, sabendo de todas as suas responsabilidades como empresário, é uma nobre missão, onde o sucesso nem sempre depende das variáveis que ele tem sob seu controle, mas de outras que não estão, como a crise política e institucional, agravadas pelos escândalos de corrupção, pela qual o país passa.
Esta crise está afetando todos os setores, mas é no nível de consumo que se mede o seu estrago e, o brasileiro está desmotivado e desanimado com a situação. Suas expectativas que, em tese, deveriam estar nas eleições gerais de outubro, também já não é o que anima muito o eleitor que se vê sem opções entre os pré-candidatos que até agora se apresentaram.
É assim, neste cenário de indefinições e de falta de expectativas que o comerciante, que gera emprego e renda, paga seus impostos, busca – a duras penas - manter sua atividade.  
Afora o cenário da macroeconomia e das variáveis que não há como controlar, o comerciante também joga suas fichas na gestão da economia local, onde ações básicas como mudanças no trânsito, abertura de novas vagas para estacionamento, apoio as iniciativas promocionais, limpeza das vias públicas, entre outras, pode ajudar a melhorar, e muito o comércio local.
Em Valinhos há duas associações que atuam no setor, a Associação Comercial e Industrial de Valinhos – ACIV, e a União do Comércio e Serviços de Valinhos – UCSV, e é nesses representantes de classe que os comerciantes também apostam suas fichas. 

É preciso pensar um pouco mais fora do quadrado. Antigamente a reclamação que mais se ouvia era em relação ao consumidor valinhense que ia comprar no comércio de Campinas e que a rodoviária era uma porta de escape para o valinhense não se fixar no comércio local. Mas sempre se esqueceram dos que possuem carro e que atravessam a fronteira entre as duas cidades todos os dias. O comércio eletrônico chegou nos últimos anos e é inegável que o mesmo também afete o comércio local e a postura de compra do consumidor.  Isso para citar apenas duas varáveis que podem ser alteradas com questões primárias como bom atendimento, variedade, preço e condições de pagamento.
As duas associações, juntamente com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, precisam traçar um novo plano para o comércio local, um plano amplo que olhe para o centro da cidade, os corredores comerciais e os bairros. Numa ação planejamento e massiva ir ao encontro do consumidor que hoje, diuturnamente é bombardeado por promoções através da televisão e de seus aparelhos celulares.
É preciso celebrar o Dia do Comerciante, pois de fato ele é mesmo um guerreiro. Se essa celebração puder vir acompanhada de novas ações e medidas que possam levar o comércio valinhense a uma nova expectativa e esperança de que a crise é apenas um componente à mais para que as oportunidades possam ser percebidas e prospectadas. Todos irão ganhar, comerciantes, funcionários e consumidores.