Casos, óbitos e vacina

Na manhã da última quinta-feira, dia 21, um dia após o Dia de São Sebastião, padroeiro de Valinhos e protetor das pestes e doenças, o enfermeiro Equerson Morel Junior, de 35 anos, foi a primeira pessoa a receber a vacina Coronavac em Valinhos. Equerson trabalha na Unidade de Pronto Atendimento – UPA 24 horas – e está na linha de frente de combate à pandemia.
De acordo com a Prefeitura serão vacinados, nesta primeira fase, 2.884 profissionais da saúde no município, desses 1.000 estão na linha de frente. Só na UPA são 350 profissionais. E mais que merecido que eles sejam os primeiros, juntamente com os idosos, pois ao longo desses últimos meses não foram poucos os profissionais que literalmente deram a vida para que muitas vidas fossem salvas.
O momento histórico, que contou com a participação da prefeita Capitã Lucimara (PSD) além de marcar início da campanha de imunização dos valinhenses, mostra também o quanto a vacina era aguardada.
Contudo, se por um lado há pessoas que se colocam em risco para salvar vidas em meio a pandemia, por outro é perceptível a irresponsabilidade, a falta de sensibilidade e de amor ao próximo de importante parcela da sociedade. E, não se trata aqui de meras palavras ou mais um discurso para criticar tais irresponsáveis.
Os números e as estatísticas locais falam por si. Assim como na grande maioria das cidades brasileiras, nas últimas semanas Valinhos viu o número de casos crescer e os leitos de UTI atingirem ocupação de mais de 95% nos dois hospitais, o que fez o governo do Estado colocar Valinhos e mais 42 cidades paulistas em estado de alerta.
Tudo isso é reflexo das festas de final de ano e do comportamento de muitos valinhenses que desconsideram a gravidade da crise sanitária e não utilizam os protocolos de segurança como distanciamento social, uso de máscara e do álcool em gel. Para se ter uma ideia do estrago causado pelo final de ano, até o dia 20 de janeiro, Valinhos já havia registrado 647 novos casos e 19 mortes. Ontem dia 22, entramos no décimo mês da pandemia e temos um total de 5.379 casos confirmados e 218 mortes, uma média de 21,8 mortes por mês.
A vacina chegou, mas se não agirmos como seres humanos racionais, essa guerra ainda vai custar muitas vidas. Há uma longa caminhada pela frente e o processo de vacinação será longo uma vez que até o momento não há produção de vacinas em grande escala para atender a toda população.
Enquanto isso não acontecer, não adianta baixarmos a guarda e declararmos que estamos liberados do cumprimento do que nos cabe, sobretudo com o objetivo de proteger os mais vulneráveis.
Valinhos vive – guardadas as devidas proporções – o que vive o Brasil no que tange ao comportamento de alguns grupos negacionistas ou que acham que o despreparado Bolsonaro está certo e, assim contribuem para que mais e mais vidas sejam ceifadas do convívio de famílias que, muitas vezes sequer deixaram suas casas. Mas, por conta desse estranho comportamento acabaram por se contaminar.
É lamentável que o Brasil esteja vivendo esse drama – onde a guerra travada pela ignorância de quem comanda o governo Federal e que nunca assumiu o papel que deveria assumir que era o de conduzir o Brasil para fora do centro da pandemia, mas que optou por fazer do Brasil um modelo para o mundo de tudo aquilo que não se pode durante uma pandemia.
Muitos brasileiros negacionistas e adeptos do libera tudo deveriam esquecer, por um instante que fosse, as questões políticas e ‘ideológicas’ e tomar vergonha na cara e ver o que o mundo está passando. Países como Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, e Itália estão fechando tudo em função da segunda onda e lá, também há política e democracia como aqui. Mas, essa é a única semelhança, pois lá as autoridades agem para proteger sua população e não como desvairados e incautos.
Sim, temos vacina contra o coronavirus, o que vai ajudar com que saiamos mais rápido da pandemia. Mas, antes de toma-la, muitos brasileiros negacionistas, precisam ser vacinados contra a ignorância.