Ano da expectativa

O ano de 2016 começou intenso. As chuvas, principalmente do dia 25 de dezembro passado, trouxeram transtornos para comerciantes que tiveram as lojas invadidas pela água. A conta para alguns, como a Folha de Valinhos mostra em matéria na página 6, chegou a R$ 5 mil.

Logo nas primeiras semanas do ano, a principal atração cultural da cidade, a Festa do Figo, dará a sua largada. Serão 15 dias a partir do próximo dia 16 de resgate da cultura e histórias valinhenses que começaram há 115 anos com a chegada da primeira muda de figo na cidade trazida pelo italiano Lino Buzzato. Desta vez, diferentemente dos últimos três anos, o evento será mais enxuto sem os grandes shows. A crise afetou drasticamente o cofre da Prefeitura. A Administração até tentou viabilizar recursos através de emendas parlamentares, dispositivo aprovado em sessão extraordinária no final de dezembro. Mas não houve tempo hábil para a liberação da verba.

Por conta de recursos excassos, o Carnaval de Rua de Valinhos, um dos mais tradicionais da região, tam- bém está cancelado para este ano. A decisão tomada ainda em 2015 já previa esse cenário econômico que todas as prefeituras do país atravessam. Valinhos foi a primeira cidade da Região Metropolitana de Campinas a adotar essa postura, puxando a fila para que outros municípios também obrigassem ao cancela- mento da festa. 

A cereja para 2016 é a eleição municipal. Histo- ricamente, as disputas políticas sempre foram acir- radas, desde o período em que dois grupos domina- vam a cidade: Paragatas e Gravatinhas. Mesmo após a dissolução, os embates sempre foram muito ácidos, e em algumas vez com nível de diálogo inferior aos anseios do que a população esperava ouvir.

Os rumores dos possíveis candidatos em 2015 e possibilidades de aliança dominaram os noticiários políticos, e neste ano será muito mais intenso. Logo a partir de fevereiro, a Câ- mara Municipal começará a votar o parecer da Co- missão de Finanças e Orçamentos que rejeitou as contas do ex-prefeito Marcos José da Silva no exer- cício de 2012. Se os vereadores aprovarem a rejeição das contas, já alertadas com falhas pelo Tribunal de Contas de São Paulo, o peemedebista terá sérias difi- culdades em concorrer à prefeitura.

Até mesmo a ala conservadora do PMDB já mos- trou indisposição com a chance de uma aliança com o PT de Alexandre Tonetti, candidato derrotado pelo partido na eleição de 2012.

Pela situação, o prefeito Clayton Machado (PSDB) consegue superar alguns obstáculos impostos pela cri- se econômica e se destacando na condução da cidade. Em três anos, a cidade recuperou o prestígio empre- sarial e está trazendo novas empresas e gerando em- prego. Levantamento feito pelo Caged em novembro e divulgado em dezembro apontou que a cidade foi a que mais criou oportunidades de emprego na Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Outros grupos políticos começam a manifestar para concorrer a cargos na Câmara Municipal ou na Prefeitura. Apenas nos primeiros dias de janeiro é pos- sível observar uma grande quantidade de outdoors es- palhados pela cidade. A Câmara, por sinal, promete ter um ano quente, similar ao ano de 2015 em que muitas sessões foram longas e conturbadas.

O ano de 2016 vem coberto de expectativas e projeções, principalmente na política. As disputas serão mais acirradas e efervescentes, como é de costume na cidade