Além da gestão da água

A Campanha da Fraternidade de 2016 lançada na Quarta-feira de Cinzas, 10, aborda um problema crítico em muitas cidades do interior e do nordeste brasileiro: saneamento básico. São 35 milhões de brasileiros sem o acesso aos serviços básicos de tratamento de água e coleta de esgoto.
A cada 100 litros de água coletados e tratados, em média, apenas 67 litros são consumidos. Ou seja 37% da água no Brasil é perdida, seja com vazamentos, roubos e ligações clandestinas, falta de medição ou medições incorretas no consumo de água, resultando no prejuízo de R$ 8 bilhões. A soma do volume de água perdida por anos nos sistemas de distribuição das cidades daria para encher seis sistemas Cantareira.
Quando o assunto é a coleta de esgoto, 48,6%da população têm acesso à coleta de esgoto. Mais de 100 Milhões de brasileiros não têm acesso a este serviço. Mais de 3,5 milhões de brasileiros, nas 100 maiores cidades do país, despejam esgoto irregularmente, mesmo tendo redes coletoras disponíveis. 39% dos esgotos do país são tratados. A média das 100 maiores cidades brasileiras em tratamento dos esgotos foi de 40,93%. Apenas 10 delas tratam acima de 80% de seus esgotos.
O custo para universalizar o acesso aos 4 serviços do saneamento (água, esgotos, resíduos e drenagem) é de R$ 508 bilhões, no período de 2014 a 2033.
Os números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento e do Estudo Trata Brasil “Ociosidade das Redes de Esgoto – 2015” revelam que o país está muito atrasado no assunto. O saneamento básico reflete diretamente em questões de educação, saúde, preservação, turismo, , trabalho e cidania. O conceito de saneamento vai além da necessidade da população ter água com qualidade para a sobrevivência.
Valinhos antecipou esse debate há mais de 40 anos, quando o então prefeito Luiz Bissoto fundou o Departamento de Águas e Esgotos e rasgou a cidade levando o saneamento básico para todos os cantos do município. O trabalho do DAEV foi sendo ampliado no decorrer dos anos com a construção de estações de tratamento (ETA), reservatórios e a ampliadaçao da ETA II em dezembro de 2015. Com isso, em 46 anos, Valinhos erradicou doenças que eram transmitidas através da falta de tratamento de água ou pelo esgoto a céu aberto.
O surgimento na década de 1990 do Consórcio dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (CPCJ) trouxe um nível de debate e discussão que inicialmente os gestores públicos ignoraram. Com a solidificação do Consórcio,  o PCJ ajudou na construção da ETE de Vinhedo.
Hoje, o afastamento de resíduos sólidos com as coletas de lixo e o cuidado dos lençóis freáticos são preocupações que estão na pauta de discussão das cidades, já que o saneamento básico não pode ser conversado de forma isolada. Só para se ter uma ideia do tamanho do problema, 3.500 piscinas olímpicas de esgotos são despejadas em rios, mares e cursos d’água, apenas pelas 100 maiores cidades brasileiras. Os rios Tietê (SP), Iguaçu (PR) e Ipojuca (PE) estão entre os mais poluídos do Brasil. O Tietê, por exemplo, recebe 690 toneladas de poluentes por dia, principalmente esgoto doméstico sem tratamento.
A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acerta em debater o saneamento básico na Campanha da Fraternidade deste ano. O assunto agrega discussões em vários âmbitos e interfere diretamente nos indicadores que aferem a qualidade de vida oferecida pelas cidades. Valinhos tem altos índices de qualidade por gerar para os habitantes saneamento de alto padrão. O direito a boa água transforma o ritmo de crescimento das cidades.

O conceito de saneamento vai além da necessidade da população ter água com qualidade para a sobrevivência