Vilarejo Brasil

Vou contar uma historinha de faz de conta. Certa vez um construtor decidiu que tinha potencial para ampliar seus serviços de construções de casas, salões e galpões comerciais. Para isso ele e um sócio estudaram minuciosamente os fatores essenciais para alavancarem suas pretensões.
Verificaram que na parte financeira não havia problema já que tinham condições financeiras e crédito junto aos bancos. Na área técnica não teriam empecilho algum, já que tanto ele como seu sócio eram engenheiros, suas esposas eram arquitetas e seus filhos também davam suporte na área administrativa, de projetos e de logística.
Tinham uma pequena equipe de pedreiros e serventes. E aí estava a preocupação, que para dar conta da ampliação, teriam que contratar mais profissionais.
Resolveram buscar mão de obra mais barata fora de São Paulo, e foram para uma região distante na busca desses profissionais.
Partiram com expectativa de trazerem profissionais interessados oferecendo salários, benefício de transporte, vale-refeição, cesta básica, carteira profissional com registros, e a expectativa de cidade grande.
Após 6 horas de vôo, e 4 horas de estrada, chegaram ao destino. Hospedaram-se em uma pensão simples, e depois foram a um vilarejo bem conhecido a procura de seus futuros empregados.
Chegaram na casa de uma família humilde composta de 7 pessoas e ofereceram trabalho e oportunidades de futuro. Para surpresa dos dois sócios, suas propostas foram recusadas. Foram na casa vizinha composta de 6 pessoas, e ficaram surpresos que também recusaram. Foram em mais 10 casas e a resposta sempre foi a mesma. Isso os deixou inconformados já que todas as famílias humildes deram a mesma justificativa.
Retornaram à primeira casa, e questionaram o morador do porque da recusa.
O morador justificou: “Para que vou sair do meu aconchego, se consigo tudo que quero pelo Governo Federal? Tenho Bolsa Família no valor de R$ 77, estou afastado em auxílio-doença e recebo o benefício de R$ 880, meu sogro é agricultor recebe o bolsa estiagem no valor de R$ 80, minha cunhada também conseguiu o benefício auxílio-doença de R$ 880, somando tudo possuo uma renda total de R$ 1.917. Tenho a tarifa social de energia elétrica, que concede desconto na conta de luz, o telefone popular, que oferece uma franquia mensal de 90 minutos, com uma tarifa de apenas de R$ 15, e conseguimos recentemente o vale-gás”.
Os sócios retornaram para cidade de São Paulo, inconformados em não conseguirem trazer mão de obra para suas empresas. Indignados pelo que presenciaram, onde uma parcela de cidadãos brasileiros recusam a oferta de trabalho, para usufruir de benefícios sociais. Este é o vilarejo chamado Brasil.

Edmilson Barbarini

Edmilson Barbarini é servidor público municipal, bacharel em ciências contábeis.