Uma mulher na prefeitura

Nasci e cresci em Valinhos. 
Sou filha de família centenária dessa cidade, que tem origem tipicamente italiana. 
Ao longo de minha existência, como muitos que aqui nasceram, acompanhei de perto o crescimento  de nossa querida Valinhos. Crescimento esse que tem gerado oportunidades , para todos, dentro de suas possibilidades, com qualidade de vida, mas que pode muito mais. 
A Capital do figo roxo é destaque no cenário estadual e no Brasil, o que nos traz muito orgulho. Sou filha de lavradores, de família simples e o figo foi a base de nosso sustento e de nossa educação.   
Da menina simples, determinada, irreverente e sonhadora, me tornei mulher de garra, de luta, sempre na defesa do bem comum, sem olhar para o próprio umbigo. 
Creio que o acaso não existe, certamente estava escrito, em algum lugar, que teria uma história marcada em minha terra natal, que tanto amo. 
É gratificante pensar que fui a primeira mulher eleita vereadora, após trinta e cinco anos de emancipação política de nosso município. Três legislaturas, desbravando, às duras penas, um espaço para a mulher valinhense. 
Agora com a vontade popular , eleita a primeira vice-prefeita  de  Valinhos. Emudeço-me diante de tanta emoção, sem palavras para agradecer o reconhecimento do povo Valinhense. 
Estou ciente do tamanho dessa responsabilidade. Estamos eleitos e eu estou aqui para somar, colaborando sempre com o prefeito Orestes, em prol dos munícipes, colocando o bem de Valinhos, do nosso povo, acima de tudo. 
Destaco a sensibilidade do Orestes, na escolha, para composição de sua chapa majoritária, onde valorizou a mulher, na busca de mais equilíbrio e justiça social. 
Representamos 52% do eleitorado, não obstante das 299 vagas para vereadores, na região, 28 são ocupadas por mulheres. Vencendo barreiras elegemos duas mulheres, em nosso Município. 
Há mulheres interessadas na política, porém há condições estruturais na nossa sociedade que continuam excluindo as mulheres do poder e da potência de existência social. A distribuição desigual do chamado trabalho reprodutivo, exercido no ambiente doméstico, é um reflexo do baixo número de mulheres no legislativo. 
Acredito que, agora, Valinhos viverá um momento de renovação e será uma constante ver mulheres ocupando mais e mais cargos públicos. O pontapé inicial foi dado, mas a luta continua. 

 

Laís Helena, professora, primeira vereadora e vice-prefeita de Valinhos