Ser

A alma pede mais, sempre. O caminho antes tão distante, inatingível e inacessível, agora faz parte do que ela realmente é. Pulsa dentro dela, grita e acontece. Isso tudo é estranho, novo, fascinante. Que aconteça a vida!
Vida. O significado dessa palavra também tomou novo formato, por assim dizer. Tudo é tão vida, tudo tem tanto sentido justamente quando não há sentido algum, que acaba por deixar tudo divertidamente enigmático. A vida...
A magia de ser o que se é desperta nela a sedução por ela mesma, pelo mistério da tal vida, agora tão original e simples na alegria mais triunfante de vitória. Tudo tão no seu lugar, que ao sorriso, de rosto e de alma, coube apenas permanecer e se tornar sua estampa favorita, seu estilo oficial, como uma marca pessoal.
Nada de tão certo ou palpável ainda, mas a ideia em si, de tudo isso, tomou conta dela e vem, aos poucos, transmutando toda e qualquer realidade que ela queira. Toda e qualquer. Fácil? Não, nunca foi. Difícil? Também não, as bênçãos estão presentes todo o tempo. É possível, apenas isso. E é justamente isso o que torna as coisas mais leves, simplificando um descontrole divertido do acontecer, do acaso criado por ela mesma. Um fluxo tão natural quanto profundo, que instiga, seduz, alimenta e acaricia a alma toda, numa dança nua de todos os sentimentos mais sublimes e muito além de conhecidos até então.
Não há controle. Nenhum sequer. E não é que isso, agora, é sua maior referência de paz? Chega a ser tão diferente e assustador, que se torna engraçado e sutil.
Um ser que se descobriu inteiro, livre em sua totalidade, sexy em sua completude, madura em sua intensidade, divertida em suas incertezas, leviana em suas certezas, ousada com suas limitações. Que limitações? A leveza caminha ao encontro dela, está cada vez mais próxima. Dá para sentir a brisa úmida e calma invadindo o peito, numa serenidade irritantemente atraente e perigosa de tão boa. Que venha!
Se a paz invade, a paz reina. Absoluta, majestosa, dona de si mesma. E a transforma, sempre, dia a dia. Um dia por vez. Cada dia, um novo recomeço. Cada recomeço em si mesma, novos ares, novas esperanças práticas, novas perspectivas, outros desafios, criatividade renovada sempre. Independente do que venha, o prazer de viver permanece intacto. O sorriso permanece. A alegria sólida é a certeza mais gentil. Cada parte de seu corpo sorri com todo seu poder, sua força, sua luta.
Poder. O poder de ser o que se é toma conta dela toda. Assim, sem volta. E como isso é incrível. Tão particular, tão secreto, tão dela. Às vezes deixa escapar pelos poros, pelo olhar, mas só dá para sentir, entender é dela. E, por vezes, nem dela.
Pertencer a si mesmo é uma aventura, talvez a melhor dessa jornada alucinante chamada vida. O que mais importa, afinal, é sentir e ser. Quando isso brota, o resto todo floresce. Cada coisa no seu devido tempo. Cada tempo em seu devido coração. Cada coração de seu jeito mais próprio e único de amar. O amor, que assim como a vida, acontece e independe da gente. Que aconteça então...
E, portanto, para ela, a aventura está apenas começando. É isso e é só.