Semáforo e seus parceiros

Edmilson Barbarini, servidor público municipal, bacharel em ciências contábeis

Ao longo do tempo o mundo vem se modernizando e inovando em todos os segmentos, para atender as necessidades da população. Os semáforos de trânsito não fogem disto, estão se aperfeiçoando constantemente para maior segurança e facilidade de leitura para os motoristas e pedestres. Mesmo assim alguns condutores não respeitam.
Muitos cidadãos e empresas enxergaram no tempo precioso que a luz vermelha obriga a parada de veículos de conseguirem aumentarem seus rendimentos, e partiram para distribuição de panfletos e brindes nos semáforos.
Nos últimos anos, diante do aumento de desempregados e das baixas remunerações oferecidas no setor formal, surgiu um número expressivo de cidadãos querendo seu ganha-pão nos semáforos. 
Hoje acrescente os sem tetos, malabaristas, vendedores de balas e revistinhas de colorir, vendedores de pano de prato, cadeirantes e recentemente os palhaços. Sem falar do malabarista que utiliza facões para mostrar suas habilidades, que é perigosíssimo.
A maioria enfrenta o sol forte e até chuva para andar entre os carros, e tem que saber manter o bom astral mesmo quando as vendas não decolam. Ficam constrangidos quando se aproxima e o motorista fecha o vidro do carro. Quando são questionados sobre onde moram, ou até que horas trabalham, ou qualquer outra pergunta se esquivam para responderem.
Os artistas de semáforo e as pessoas em situação de rua são cidadãos que surgem do nada. Ninguém sabe quem são, de onde vem e o que fazem fora dessa atividade.
Temos as pessoas em situação de rua com sinais de embriagues ou de uso de droga ilícita, temos as mulheres vulneráveis, que ficam rodeadas de homens, perambulando pelas esquinas.
Muitas cidades colocaram em prática o acolhimento dos moradores de rua, que diminuiu consideravelmente a presença nas adjacências do centro. Temos que destacar as louváveis atitudes dos voluntários e entidades que preocupadas, também dão seu apoio às pessoas em situação de rua.
Agora pergunto o que pode mais surgir como parceiro do semáforo?! Os que oferecem limpeza de para-brisa?
Em boa parte das cidades os gestores divulgam campanhas, para não dar dinheiro ao morador de rua, mas como ficam os demais pedintes?
Algum condutor já chegou a calcular se der 50 centavos ou R$ 1 real em um semáforo quanto teria que desembolsar? Talvez no final do mês desembolsasse no mínimo R$ 20 reais. Os motoristas estão conscientes que dar um trocado, não ajuda, mas, a toda parada em cada semáforo ser abordado, tem que ter paciência e sabedoria. Muitos preferem dar moedas, para ficarem livres.
Resumindo, a situação é delicada, já que envolve vários fatores, desde violências, dificuldade de tratamento de saúde, alimentação, privação de sono, preconceito, invisibilidade social, dificuldade de acesso a políticas públicas e afeição. E até que surjam oportunidades para saírem deste descaso, usam o semáforo, no seu tempo precioso para ganharem seu sustento.