Saúde Mental

Paula Renara

Em todo o mundo, milhões de pessoas são afetadas por desordens mentais resultantes de uma complexa interação de fatores sociais, psicológicos e biológicos. Esse processo de adoecimento causa intenso sofrimento, prejudica o funcionamento social e ocupacional e impacta de maneira negativa a qualidade de vida.
A OMS estima que 4,4% da população mundial sofre de depressão, taxa que entre os anos de 2005 e 2015 apresentou um aumento de 18%. Comparado à América Latina, o Brasil é o país com o maior número de pessoas com depressão, com 5,8% da população acometida por esse transtorno, o que equivale a 11,5 milhões de pessoas. Esses números revelam que a depressão tem se fortalecido como a maior causa de piora de saúde e de incapacidade em todo o mundo.
Com uma taxa tão elevada, me pergunto o quão prepara a nossa sociedade está para lidar com essa questão. Como psicóloga, tenho identificado uma resistência por parte das pessoas em procurar ajuda de um profissional da área da saúde mental. Esse comportamento é mantido pela banalização e desvalorização dos sentimentos que se expressam em falas como “isso é falta de Deus na sua vida”, “isso é frescura”, “você tá assim porque quer”, “você não se esforça e tem que reagir”.
É importante considerar que, em algum momento da vida, todas as pessoas, independentemente de sua classe social, cor, orientação sexual, religião, etc., podem apresentar sinais de sofrimento psíquico como uma reação a uma situação estressante. Contudo, diversas pesquisas apontam que apenas metade das pessoas com quadros depressivos busca tratamento para a doença, enquanto a outra metade negligencia o cuidado com a própria saúde mental pelo receio da exclusão social, julgamento e discriminação.
No Brasil, temos observado avanços no campo da assistência à saúde mental consolidados desde a Reforma Psiquiátrica (década de 70). Por outro lado, há um caminho longo a ser percorrido no que diz respeito a valorização desse cuidado para que todas as pessoas possam reconhecer os seus limites e buscar ajuda quando necessário. Precisamos romper com o estigma que ainda persegue as pessoas acometidas pelo adoecimento mental, desconstruir o preconceito disseminado culturalmente e oferecer apoio a essa população, de forma a contribuir para a reabilitação das funcionalidades e reintegração social