Santa Bárbara nos trouxe Consciência e esperança de bons ventos...

Josué Roupinha Júnior

Nem a chuva afastou os valinhenses da comemoração do Dia da Consciência Negra, na praça Zumbi dos Palmares, promovida pela Associação Cultural Afro-Brasileira de Valinhos, com apoio da Prefeitura Municipal. Crianças, j ovens, adultos e i dosos com um só propósito: prestigiar e compreender a importância da luta e da cultura negra. Clara Nunes eternizou que “ninguém ouviu um soluçar de dor no canto do Brasil”. E Valinhos, por mais que digam o contrário, também é um canto de dor (e de resistência) de muitos negros e negras, os quais lutam pelo seu espaço na sociedade.
Constituída majoritariamente por i talianos, Valinhos ainda está muito distante de se aproximar da cultura afro, porém na festividade de 20 de Novembro a nossa comunidade deu um exemplo de respeito ao próximo: ouviu, atenta, aos discursos de personalidades negras, como o do Sr. Oswaldo Reiner e da Vice Prefeita, Laís Helena, l utadores em prol de uma cidade mais justa e humana.
Além disso, na festividade teve algodão doce, acarajé e apresentações musicais, mas também uma novidade: curimbeiros do Templo de Umbanda Cacique Ubiratã e Pai Sacomé se apresentaram e arrancaram aplausos da comunidade ao cantarem pontos de Xangô, Ogum e Iansã.
Iansã, que no sincretismo católico é reconhecida como Santa Bárbara, se fez presente. Os curimbeiros cantaram “olha que o céu clareou, quando o dia raiou, fez o filho pensar; a mãe do tempo mandou, a nova era chegou, agora vamos plantar”, e a resposta veio em tempo: chuva forte, raios e ventania. A Orixá da chuva mostrou, naquele momento, que está perto daqueles que a louvam e respeitam. Prova disso foi um senhor que, durante o evento, me chamou de canto e disse:
“Josué, eu sou evangélico e estou mandando as fotos do povo de terreiro aos meus i rmãos da i greja. Eles precisam entender que as religiões de matriz africana não são o ‘ demônio’, mas que, assim como nós, pregam o amor e o respeito”.
E é sobre i sso que estamos falando: de respeito. A festividade contou principalmente com a presença maciça de crianças, sobre as quais nós adultos temos o dever de criá-las e educá-las sem preconceito, seja ele qual for (orientação sexual, raça ou classe social); e fazê-las entender que cada pessoa tem as suas posições e condições sociais, as quais devem ser respeitadas - se não for possível, ao menos, compreendê-las.