“Que mentira que lorota boa, ...”

Quando éramos crianças as meninas brincavam de roda e cantavam seguidamente em coro, sem qualquer preocupação o único refrão que dizia: “que mentira que lorota boa, que mentira que lorota boa”. As mentiras na nossa infância nos faziam viajar e sonhar esperando pelo Papai Noel e fascinados com contos do Pinóquio, aquele boneco de madeira que virou gente e toda vez que mentia o seu nariz crescia. À medida que fomos crescendo e com as novas tecnologias a mentira se transformou em fantasma, ela pode nos assombrar e fazer crer coisas inacreditáveis.

No nosso dia a dia uma mentirinha até vai bem, quando a utilizamos para ajudar um grande amigo sair de sua depressão ou tristeza imatura, mas até a mentira não pode ser exagerada se não o beneficiário acabará desconfiando.  

Às vezes duas nações inimigas entre si, não sabem das fraquezas uma da outra e uma mentira até cai bem para os propósitos de um bem maior. Na época da guerra fria que envolvia mais diretamente União Soviética e Estados Unidos (1947 a 1991), na medição constante de forças entre ambos, certa vez os soviéticos que imaginavam estar em desvantagem frente ao poderio de armas americanas desfilaram na famosa praça vermelha com vários foguetes de última geração. O segredo guardado à sete chaves pelo alto escalão militar soviético, é que os foguetes foram confeccionados em papelão ondulado, ainda bem que não ventou muito naquele dia, o aguardado desfile militar televisionado ao mundo, guardadas as devidas proporções, parecia mais com alguma das escolas de samba do Rio de Janeiro, com os seus deslumbrantes carros alegóricos.

Os perfeccionistas técnicos bélicos e armamentistas americanos ficaram impressionados com a força daquelas parafernálias soviéticas e o exército americano pediu imediatamente mais verbas ao Congresso para não ficar atrás do seu maior inimigo. Como também se diz que a mentira tem perna curta, só em 1991 após dissolução da União Soviética e com a formação dos Estados independentes é que os americanos descobriram a farsa dos foguetes de papelão soviéticos, mas o tempo foi o suficiente para que os americanos respeitassem os soviéticos sem suposta declaração de guerra. Foi uma mentira plausível para garantir a paz.

Devido a esse fato histórico da corrida armamentista na guerra fria, tem muita gente ainda hoje que não acredita que o homem foi à Lua, pensam que foi uma estratégia armada pelos norte-americanos para se sobressaírem como o país mais avançado em tecnologia espacial, e a chegada do homem à Lua foi nada mais que uma filmagem por conta dos estúdios de Hollywood no oeste americano, onde a paisagem desértica é bem parecida com a da Lua.  

Nesse ano de eleições à prefeitos e vereadores em todo o Brasil precisamos tomar muito cuidado com as famosas fake news, ou seja notícias falsas, mentiras disparadas pelos candidatos em relação aos seus adversários e a si próprios. Através da mídia virtual é possível fazer montagens utilizando o rosto de qualquer candidato em jogos de cenas poucos recomendáveis, colocando palavras em suas bocas e induzindo a fazermos reflexões sobre as idoneidades moral e social dos nossos candidatos preferidos.   Infelizmente o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) não tem braços para barrar em 100% os “Fichas Sujas” existentes em cada pleito eleitoral de cada cidade. O sistema para peneirar e deixar só os “Fichas Limpas” é oneroso e burocrático em vista do pequeno tempo disponível entre a inscrição dos candidatos e a eleição. Seria bom que os candidatos fossem iguais ao Pinóquio da nossa infância, assim pelo tamanho dos seus narizes poderíamos descartar de antemão os mentirosos.