Quando a primavera chegar

André Reis

Quando a primavera chegar, farei deste lugar uma razão nova do meu existir.
Olharei com encanto a multiplicidade de cores a contagiar os amantes das flores.
Flores que, assim como a menina desinibida e despercebida, se pegam a valorizar sua suave beleza com adornos floridos em suas longas madeixas.
Diferente de outras estações, a primavera não se impõe. Ao contrário, ela se apresenta e se expõe e nós, como numa exposição de artes, nos deleitamos diante de cada uma de suas obras.
Mostra-nos tuas belezas, primavera, de forma tal que nem mesmo o ritmo frenético da cidade impeça o teu florescer.
Quero olhar a primavera como quem mira um futuro leve, divertido e de paz.
Vou respirar um novo ar e meus pulmões, a pleno vapor, sentirão o aroma distinto de cada jardim por onde passar.
Vou poemar a primavera e poesiar cada flor que encontrar. 
Novos sentidos turbinarão minhas atitudes.
Quero olhar setembro como se pela primeira vez experienciasse o abrir dos olhos.
Vibrarei com a as ruas cinzentas e empoeiradas ganhando vida com a florada diversificada. 
Invejarei a discreta floreira na janela da frente do sobrado retribuindo o passante com as cores do arco íris.
Cultivarei um novo sentido para o meu coexistir, pois sozinho sei que de nada adianta viver.
Sorrirei mais.
Abraçarei mais.
Festejarei mais e até mesmo as mínimas realizações irei comemorar!
A primavera que transmuta a ramada seca castigada pelo inverno demonstra que, muitas vezes, o sentido na vida sempre brota de onde menos esperamos