Perdemos de 71 e vencemos por 6

Na cidade em que surgiram, eles eram os melhores. No país, eles começavam a se destacar em meio a tantos outros maiores que eles. Mas isso não importava a determinação foi a arma para correr atrás de um sonho e marcar pontos contra os seus oponentes.
Em um país onde cada um veste a sua própria bandeira, onde pessoas desconhecidas se abraçam em uma vitória e o hino se tornou o grito de gol, eles conseguiram sair do anonimato de sua cidade para enfrentar os gigantes da série A.
A cada vitória, o sonho de ser finalmente vencedores estava mais perto. O capitão estava tão feliz com as excelentes batalhas de seus soldados que disse que se morresse naquele momento, ele morreria feliz, pois havia conquistado muito ao lado do seu batalhão e sentia que a missão tinha sido cumprida.
Foi então que chegou o dia de voar a mais uma nova missão. Missão esta que traria finalmente as fardas de campeões. Como de costume, estavam todos preparados e em clima de extrema harmonia. Cada soldado se despediu de sua família e prometeu que voltaria. Um soldado em especial disse ao seu pequeno filho que voltaria e entraria com ele no campo; outro se despediu de sua mulher com um beijo na barriga, pois havia mais alguém ali; outro integrante do batalhão estava extremamente apaixonado e mesmo contra a vontade de sua namorada, ele enfrentaria mais uma batalha. Foram muitas despedidas em meio ao clima de alegria da caminhada para a conquista de um grande sonho. Apesar disso, todos independente da sua posição dentro e fora do campo, estavam consciente que iriam a trabalho.
Terça-feira, dia 29 de novembro de 2016, o mundo amanheceu em luto. Todos nós sabíamos que nem sempre se sai vencedor de uma grande batalha, mas ao menos acreditávamos que voltariam para dizer que lutaram. Para a nação brasileira, foi um choque bem maior que o 7x1 para a Alemanha. Perdemos de 71 e vencemos por 6.
Todos aqueles oponentes e rivais se tornaram um só. No dia 29 de novembro não existia cor de uniforme que nos diferenciassem; não existia mais uma disputa para definir o melhor. Nós não abraçamos somente aqueles que estavam ao nosso lado. O mundo se uniu em um só abraço em um só hino. Todos nós gritamos: ‘Vamo, vamo, Chape! Vamo, vamo Chape!’. Assim como eles na última vitória em vida.
Melhores soldados nessa guerra jamais existirão.Eles venceram a melhor batalha de todas: a vida! E mesmo que hoje não possamos dizer diante deles, eles se tornaram campeões mundiais, e diante disso somos nós quem prometemos dar forças a você, Chapecoense!

 

Vanessa Plácido, jornalista