O vazio de Jair

Desde o começo da pandemia, o presidente Bolsonaro esforçou-se com sua máxima incompetência administrativa, intelectual e emocional para negar a seriedade da pandemia, deixando o país à mercê da ausência estatal a fim de manter-se em campanha para os seus bravos escudeiros, em nada diferentes dos que invadiram o Capitólio no último dia 6. Nessa eterna campanha em que praias viram palcos de aglomeração para ver o Mito, que é uma espécie de Mussolini “Coca-Cola” ou Plínio “Salgadinho de isopor”, o presidente ignora completamente as necessidades do país e de sua população, carente de um respiro de alívio frente o horror pandêmico.

Mesmo medidas como o Auxílio Emergencial, responsabilidade do Estado e que aumentou a popularidade do presidente, foram tomadas a partir de uma forte pressão da Oposição, que merece o mérito de manter o país em mínimo equilíbrio democrático e funcionamento.

O fantoche da saúde, general Pazuello, não fez o seu devido trabalho e o país atinge a marca de 200 mil mortes por Covid-19. Felizmente, no mesmo dia em que esse terrível marco é atingido, é anunciado que a Vacina do Butantan possui uma eficácia de 78% para casos leves e 100% para casos graves, uma vitória do corpo científico do país e, por que não afirmar, do governador João Doria. Confrontado pelos problemas da pandemia que o governo federal conseguiu potencializar, como a politização da vacina e da doença, é notável o desempenho de Doria e sua equipe. Propaganda política ou não, ele preencheu o vácuo que Pazuello permitiu e saiu na frente na aquisição das vacinas e das medidas restritivas, demonstrando que sabe fazer o mínimo que sua função exige. Inclusive, ao fazer seu trabalho, o governador acabou por pressionar o Ministério da Saúde a agir e correr atrás do prejuízo, exemplificado pela compra mísera das 2 milhões de vacinas da AstraZeneca (5) produzidas pela Índia, apenas para sair na frente de São Paulo. Pago com dinheiro da população, o presidente deve ter Doria como exemplo e lembrar que serve o povo brasileiro, e não seus filhos, sua patota fascista e o ex-presidente em exercício, Donald Trump.

Não é Jair acima de tudo, mas as necessidades da população. As Instituições e a Constituição sempre prevalecerão sobre aqueles que são arruaceiros da Democracia, como demonstrado corretamente por Lewandowski ao não permitir que o Governo Federal adquira os materiais já comprados por São Paulo (8). Portanto, mesmo que com tropeços existentes, o governo de São Paulo merece o meu respeito administrativo em relação a Covid-19, ao preencher o vazio administrativo e mental de Jair Bolsonaro. 

João Pedro Pazinatto Arake é estudante de História na Universidade de São Paulo – USP – e membro da Associação de Preservação Histórica de Valinhos – APHV.