O QUE ACONTECEU COM O CARNAVAL DE RUA DE VALINHOS?

No princípio eram as troças, blocos independentes e grupos de improviso que se organizavam para o Carnaval de Rua de Valinhos. O mais notável era o Bloco do Formiga, onde os foliões se vestiam muito à vontade, improvisando fantasias com roupas que dispunham no uso diário, perucas, pinturas com carvão e outros artifícios. Não havia uma forma organizada para desfilar.  O povo se reunia ao longo da Rua Antônio Carlos e Sete de Setembro, então vinham os “cavalinhos” – pessoas vestidas com roupas simulando um cavalo- cujas pernas eram as do condutor, atuando como abre alas. A folia seguia desorganizada, com muitos gritos, talco e vez em quando lança perfume nos olhos de algum espectador.
Pouco mais tarde apareceram os blocos organizados, liderados pela Rigesa e pela Cia. Gessy. Aqui já se via um pouco mais de organização, dado ao tamanho dos blocos e os carros alegóricos, sempre vistosos, evocando a marca das empresas patrocinadoras. Já tinha escolas de samba, sambistas, porta bandeiras e alguns exibicionistas, como o homem da frigideira, por exemplo. Nesse tempo destacaram-se Dirceu Matiazzo – diretor de escolas de samba e famoso “apito”, Rodolpho Signorini – mestre salas -, Italiano – famoso atirador de balizas – (seria preciso ter participado para entender o quê é isso). E tantos outros que a memória não me ajudou evocar.
A partir de 1984 com a instalação de Coordenadoria de Cultura e Turismo, através da Prefeitura Municipal de Valinhos, no primeiro governo do Dr. Vitório Antoniazzi, e com o consentimento e participação dos lideres do Carnaval de Rua em Valinhos, começa uma nova fase para esse evento, quando a Coordenadoria contrata sambistas da FESEC – Federação das Entidades Carnavalescas do Estado de São Paulo – para ministrar cursos na Estação da Fepasa, de como organizar Blocos e Escolas nos moldes oficiais.
Seguiram-se anos de brilho para o Carnaval de Rua de Valinhos, com o Leão da Vila, Unidos da Madrugada, Arco Íris, Águias da Avenida, Canto da Vila e alguns nomes que ficaram famosos: Dêde, Vinte e Nove, Italiano, Serjão da Ótica, Tio Pedro, Carlinhos Madia, Toni Favarin, Mário Pazzinato, Cacá Principe, Roque Palácio, Salim, Jesuíno, Guina e tantos outros que precisaria espremer a memória, mas estão lá guardados para qualquer  outra ocasião.
Era um tempo do Carnaval de Rua contemplativo, organizado, com júri especializado, premiação – e muita briga – arquibancadas para o povo e passarelas bem definidas. Não raro, havia depoimentos de visitantes de fora que elogiavam o brilho e a organização do Carnaval de Rua de Valinhos. E as pessoas que o organizavam, todos, desde aquela costureira voluntária, o soldador voluntário, os chefes de grupos, presidentes e diretores, todos voluntários, enchiam-se de orgulho.
E, repentinamente acabou.
Novas “formulas” foram inventadas, mas nenhuma se igualou a anterior.
O QUÊ ACONTECEU COM O CARNAVAL DE RUA DE VALINHOS? Certamente leitor, você tem uma resposta.