Nossa praça de pedágio

Jair Fini é administrador – fini.jair@gmail.com     

No Estado de São Paulo as praças de pedágios começaram a funcionar na década de 60, porém muitas até hoje desrespeitam a lei estadual n.º 2.481 de 1953.  Conforme essa lei em vigor, a distância mínima para se colocar uma praça de pedágio é de 35 km a partir do marco zero da capital paulista que é a Praça da Sé. Atualmente 12 praças de pedágio estão em situação irregular em várias rodovias que cortam a cidade de São Paulo.

A nossa praça de pedágio foi implantada em 1976 na Via Anhanguera “coincidentemente” bem na entrada de Valinhos. Alguns historiadores dizem que acertos políticos foram determinantes na época para se implantar o pedágio, onde também existia exatamente nesse local da praça de pedágio uma grande nascente de água. Como ainda não vigorava a lei de Licenciamento Ambiental para proibir ou mudar o local de seu assentamento, a construção se deu a toque de caixa, e a maravilhosa nascente foi engolida e desapareceu.

Houve boatos que Laudo Natel então governador fez um bem bolado com o prefeito de Valinhos na época, o Estado construiria o viaduto sobre a estrada de ferro, ligando a Vila Santana ao centro e também à Avenida da Invernada batizado com o nome do governador e em troca a praça de pedágio seria construída na entrada de Valinhos, dito e feito. Lembrando que esse mesmo prefeito teve o mérito de conseguir comprar de Campinas uma adutora localizada em Vinhedo, uma grande área com manancial e barragem sendo que esta agua chega até Valinhos por gravidade. (Engenharia inglesa).

Para a ocasião a estratégia de se conseguir a construção pelo Estado de um viaduto na cidade a troco da praça de pedágio era politicamente correta, o centro de Valinhos estava congestionado, o município não tinha recursos para a construção do viaduto e ainda com o acordo aumentaria a arrecadação do município em 5% sobre o valor auferido na praça de pedágio. Como nenhum político sabiamente não coloca seu nome em placas comemorativas de praças de pedágios, farei de conta que não sei qual foi o prefeito da época.

Com o tempo a oposição alegou que a praça de pedágio não deveria ser construída em Valinhos, conforme lei estadual vigente na época deveria ser construída em Campinas. O “ilustre” governador diminuiu a distância entre um pedágio e outro que rezava a lei prejudicando o nosso município e com a vida das casas noturnas da cidade e de empresas que acabaram se instalando em Vinhedo ou Louveira, se afastando de Valinhos devido o pedágio. A cidade de Vinhedo também ficou prejudicada com o fluxo constante de caminhões cortando a cidade para evitar o pagamento do pedágio.

Está em análise na câmara dos deputados o Projeto de Lei 1434/15 do deputado Marcelo Belinati (PP-PR), o qual fixa a distância mínima entre os pontos de pedágios rodoviários em 100 km.  A medida vale para novas concessões ou renovação das licenças já existentes. Eu particularmente não acredito na aprovação desse projeto de lei, vai contra a vontade de interesses de poderosos, além do mais pelo número do protocolo que é de 2015, podemos considerar já engavetado.