Marcha pela acessibilidade

Vivemos um momento impar na história do movimento de pessoas com deficiência. Hoje, estamos em busca do protagonismo, onde pessoas com alguma deficiência se apresentam para a sociedade, que em anos passados excluiu essa parcela da população brasileira.
Uma campanha da APAE de SP, em comemoração aos seus cinquenta e cinco anos, passa através da imagem de uma escola e locução do ator Matheus Solano, onde as classes estão vazias, assim como o pátio da entidade. Por quê? Pelo fato de seus usuários estarem no trabalho, estudando, fazendo cursos, namorando e praticando esportes.
O deficiente de hoje sem sombra de dúvidas tem melhor qualidade de vida, que seus pares há, por exemplo, 40 anos.
O deficiente hoje não é mais o aleijado, surdinho, mudinho e ceguinho. As crianças com deficiência intelectual não são mais vista como louquinhas e sim como pessoas que têm uma diferença, no caso a deficiência.
Hoje vivemos a Lei brasileira da Inclusão, que apresenta para sociedade  o fato de que a deficiência está no meio. Quanto maior for à falta de acessibilidade, mais se destaca a deficiência.
Uma pessoa em cadeira de rodas se encontrar rampas terá sua autonomia garantida, assim é com o cego tendo Braile em livros, cardápios, o surdo com interpretes de Libras nas repartições públicas e privadas de uso coletivo e o deficiente intelectual sendo tratado como pessoa que pode ter autonomia em sua vida.
Para que isso aconteça, é de suma importância que as Leis que estão no papel comecem a funcionar. Outro dia uma amiga, que é cega me questionou sobre o uso do Braile, por exemplo, em cardápios nos restaurantes?
E olha o que encontrei na Legislação valinhense: a Lei 4.912 estabelece em seu Art. 1° obrigatoriedade da utilização de cardápios impressos em “braile”, em todos os estabelecimentos que comercializam refeições e lanches, tais como bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis, motéis e similares em Valinhos, de forma a facilitar a consulta de pessoas portadoras de deficiência visual;  e o Art. 2º explica: na elaboração do cardápio impresso em “braile deverá constar o nome do prato, todos os ingredientes utilizados no seu preparo e o preço do mesmo”.
Como bem trata a Lei brasileira da inclusão, a deficiência está no meio, pois se essa moça encontrasse o cardápio em Braile, não iria precisar que terceiros tivessem que ler todo o cardápio, até ela escolher o que gostaria de comer naquele momento.
Assim seria com o surdo se encontrasse intérpretes de Libras, e, por exemplo, um jovem surdo, poderia fazer algo simples como pagar uma conta de Luz para sua mãe por exemplo.
Em Valinhos, como em grande parte do Brasil, precisamos lutar para que Leis ultrapassem a barreira do estar no papel e passe a ser garantia de direitos.
Precisamos de ação, de vermos deficientes na rua, trabalhando, estudando e aproveitando o máximo que a vida tem para nos apresentar.
Os passos estão sendo dados como o recente Decreto que criou o Comitê do Cadastro Nacional de Inclusão da Pessoa com Deficiência - Cadastro-Inclusão.
Essa iniciativa pode ser o primeiro passo para termos uma real, ou bem próxima da realidade do exato número de deficientes que temos no Brasil. O que sabemos é muito maior que os mais de quarenta e cinco milhões apontados no censo do IBGE de 2010. Quanto mais pessoas com deficiência sendo identificadas mais políticas públicas iremos conseguir para estas pessoas.