Imigração Japonesa

O Japão, no início do século XX encontrava-se superpovoado, com escassez de alimentos, pois a  produção servia apenas para o consumo e, além disso, com a mecanização da agricultura , a  população  saía do campo para a cidade e, lá chegando,  também  passava fome, por não haver trabalho e renda para todos.
Tornou-se urgente para o Japão, “abrir-se” para o “mundo” em busca de novas perspectivas.  A emigração para outros países parecia ser uma porta de esperança.
Entre os países das Américas, o Brasil foi visto como adequado para sediar projetos que pudessem receber esses emigrantes.
Muito se conta a respeito dos japoneses que vieram para o Brasil, especialmente da grande vontade de vencer.  Etapas foram vencidas, com muito trabalho e estudo, pois o aprender é uma atividade inerente ao ser humano.
O marco da chegada dos primeiros japoneses ao Brasil é 18 de junho de 1908, dia em que é comemorado o Dia da Imigração Japonesa no Brasil.
Muitos desses imigrantes foram instalados em fazendas do Estado de São Paulo; em Valinhos, a colônia japonesa começou a ser formada na década de 50, quando aqui chegaram as primeiras famílias japonesas, todas de agricultores, a maioria proveniente do interior de São Paulo, os quais passaram a cultivar tomate, vagem, abobrinha, berinjela, repolho e demais verduras e legumes. Posteriormente, os agricultores passaram a produzir frutas, tais como goiaba, siriguela, atemoia, dekopon, pêssego, pitaia, figo, pois foi necessário diversificar a lavoura. Produziram também aves e ovos. Atualmente, os agricultores da Associação Cultural Nipo-Brasileira do Bairro Macuco detêm o título de maiores produtores de goiaba “in natura” do Brasil, isso porque em Valinhos o que mais se produz é a goiaba de mesa.
Após o plantio das goiabeiras, na fase de produção das frutas, os agricultores perceberam que se quisessem produzir frutos grandes, deveriam deixar menos frutos por galho, ou seja, deveria haver poda regular, adequando o uso da irrigação, ao longo do ano, combinando com complementos de adubos orgânicos e ou químicos necessários, resultando em colheitas quase que contínuas ao longo do ano, favorecido também pelo clima.
Perceberam desde logo que o uso de novas tecnologias, refrigeração dos frutos em câmaras específicas poderiam modificar o sistema de vendas, refletindo em retorno financeiro melhor negociável, além de investir em novos empreendimentos como o agroturismo.

 

Sérgio Matsutami

presidente da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Valinhos