Ilusões do mercado

Gustavo Gumiero

Cara leitora, caro leitor, uma recente pesquisa do Banco Mundial apontou que mais de 52% dos jovens brasileiros entre 19 e 25 anos tem o “futuro ameaçado”. São jovens que nem estudam, nem trabalham, ou estão atrasados nos estudos ou ainda na informalidade. O relatório diz que eles correm o risco de ficar fora do circuito dos bons empregos e consequentemente mais vulneráveis à pobreza. Mas infelizmente não são só os jovens do Brasil que têm essa perspectiva sombria. Países islâmicos também apresentam uma alta taxa de desemprego dos jovens, em muitos casos chegando a mais de 30%.
Já faz alguns séculos que o discurso ideológico para que se trabalhe, para que se procure trabalho, que faça a economia girar é muito forte, é tão intenso que nem mesmo temos a percepção de ser um discurso ideológico, mas acreditamos que trabalhar seja uma necessidade do ser humano. Todos os indicadores que lemos nos jornais são voltados para o crescimento econômico e dizem sempre que o mundo só evolui se o PIB, se a riqueza aumentar. Trata-se de constituir o tempo da vida dos indivíduos como força de trabalho; da transformação da força corporal em força de trabalho e integração dela no sistema produtivo. O filósofo Michel Foucault já apontava que “o tempo e a vida do homem não são por natureza trabalho; são prazer, descontinuidade, festa, repouso, necessidade, instantes, acaso, violência etc.”
O mercado de trabalho é apenas um aspecto da vida, hoje necessário para sobreviver, senão morre-se de fome. Não tenho medo de errar ao sugerir que 90% das pessoas não são felizes, não se realizam no que fazem: empregos hoje são meras ocupações para ganhar dinheiro (quando se tem emprego). E o pior ainda é quando nem possibilidade de renda as pessoas têm: vem a depressão, vem a síndrome do pânico, vêm todas as doenças que produzimos em nós mesmos devido ao stress.
Já escrevi algumas vezes, mas não canso de ser repetitivo: a formação da criança, do jovem, do adulto, não deveria ser para o “mercado de trabalho” e sim para a vida.
Já está tudo errado desde o começo, desde o berço. E não vai mudar.
Assim é o futuro como se apresenta: quem não tem medo dele?