Empresa contrata pessoa com deficiência, de preferência, que não tenha deficiência.

Outro dia, li em uma rede social um texto falando sobre uma vaga de emprego para pessoa com deficiência. A primeira leitura de um anúncio como esse é muito positiva, pois muitas pessoas com deficiência estão buscando uma colocação profissional.
E segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), temos hoje no país, mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Se olharmos por este prisma, mão de obra não falta, certo? Mais ou menos.
Na realidade á coisa não é bem assim. Uma conta não fecha neste cenário, há pelo menos 28 anos, deste a promulgação da lei (8.213/91), popularmente conhecida como lei de cotas.
Números do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam para apenas 49% do cumprimento da lei, em quase 30 anos de sua criação.
O empregador alega falta de mão de obra qualificada como um dos principais empecilhos para essa contratação. Por outro lado, estudos apontam que ás empresas fazem exigências muito mais apuradas para profissionais com deficiência em relação aos sem deficiência.
Voltando ao anúncio da vaga de emprego, o anúncio dizia: Empresa X contrata promotor de merchandising, vaga apenas para PCD, com habilitação D. Atividades: Montagem de materiais publicitários, limpeza, armazenamento e organização dos displays. Habilidades manuais com ferramentas como; furadeira, parafusadeira, chave de fenda e instalações elétricas. Facilidade de comunicação.
Agora se coloque no lugar de uma pessoa com deficiência para concorrer á essa vaga: Se for cego, não terá habilitação para dirigir veiculo.
Se for surdo, não terá a boa comunicação exigida, também será descartado. Se for usuário de cadeira de rodas, terá dificuldades para fazer limpeza, e montagem de móveis e instalações elétricas. Também será excluído. Qual o tipo de deficiência á empresa procura?
Anúncios semelhantes a este, brotam nas redes sociais e em sites de empresas de recrutamento.
O que ás empresas fazem disfarçadas de empresas “Socialmente responsáveis” é concentrar suas vagas em um único tipo de DEFICIÊNCIA, atitude considerada discriminatória.
Tem sido um cabo de guerra, de um lado, ás pessoas com deficiência buscando qualificação, muitos com pós - graduação e cursos de especialização nas áreas pretendidas. Do outro lado, ás empresa, que não acreditam no potencial das pessoas com deficiência e buscam apenas cumprir á lei.
Essas empresas buscam um cego que enxergue um surdo que ouça ou um deficiente físico com mobilidade total. Para esses casos às vagas estão disponíveis.

Vagner Alves, consultor em acessibilidade, formado em Administração pela Faculdade Anhanguera Educacional de Valinhos e Gestão Pública pelo INPG

Vagner Alves, consultor em acessibilidade, formado em Administração pela Faculdade Anhanguera Educacional de Valinhos e Gestão Pública pelo INPG