Do terrorismo e da guerra

Felipe Adaid

Nada tem sido mais discutido nos meios de comunicação pelo Mundo que a questão do terrorismo. Pode-se dizer que, grosso modo, o termo Terrorismo se refere a qualquer uso de violência física ou psicológica capaz de gerar medo. O número de pessoas atingidas pelo pânico é irrelevante para se caracterizar o medo. Assim, pela simples definição da palavra, considera-se Terrorismo desde as ameaças realizadas durante uma extorsão ou roubo, até as ações de grupos análogos ao PCC, FARC e Al Qaeda.
Contudo, é comum a utilização do termo tão somente às atividades de grupos extremistas capazes de gerar fenômenos de histeria em massa a nível global. O medo, por outro lado, evidentemente não constitui o objetivo principal dos atos terroristas. Na grande maioria das vezes, esses grupos estão ligados às organizações políticas, separatistas ou elites para-estatais que visam a obtenção de poder. O estado de pânico gerado por tais grupos acarreta uma sensação de desespero e instabilidade civil, influenciando indiretamente a soberania do Estado.
Passado quase duas década do 11 de Setembro o mundo continua aterrorizado. Não é para menos, somente após a queda das Torres, inúmeros outros eventos foram vivenciados em diversos  países. De outra banda, paralelamente ao terrorismo está a guerra. Entretanto, enquanto o terrorismo tem como alvo principal os próprios civis, a guerra, via de regra, tem por objetivo combater determinado poder militar, minimizando os danos civis. Nos últimos séculos, graças ao processo da Globalização, a necessidade de intercâmbio econômico entre os países e o apelo das organizações de Direitos Humanos, as guerras entre Estados ganharam um viés mais diplomático.
Máxime nos países desenvolvidos, o medo de novos atentados terroristas parecem atingir níveis alarmantes. As pessoas temem mais a ocorrência de um atentado terrorista que o início de uma nova guerra. Mesmo que, ironicamente, as consequentes ações militares se demonstrem muito mais nefastas. Segundo estimativas, somente as duas grandes guerras exterminaram mais de 120 milhões de pessoas. A Guerra Civil Russa, de 1918 a 1921, matou aproximadamente 7 milhões. A Guerra do Vietnã, que durou de 1955 e 1975, culminou em mais de 4 milhões de mortes. Na República Democrática do Congo, a guerra ocorrida de 1998 a 2003, também matou mais de 4 milhões de pessoas. Em 1990, a Guerra do Golfo, durante a invasão do Kuwait, teve 35 mil mortos. E, por fim, a Guerra do Afeganistão em 2001, mais modesta, contou com cerca de 15 mil vítimas.
Em suma, as motivações bélicas geralmente estão ligadas às questões econômicas, disputas territoriais, fenômenos revolucionários e imposições ideológicas de ordem étnica ou religiosa. Porém, seja qual for o motivo oficial da guerra, em seu bojo, todas visam um único objetivo: o poder. O que nos leva a concluir que, por mais que as guerras tenham ganhado uma carapaça diplomática e um ideal de “bem comum”, em última análise, pouco se pode diferenciar entre os atos de guerra e de terrorismo.