De réquiem e espólios

Após muitos telefonemas recebidos, indagando meu juízo sobre temas políticos atuais de Valinhos, sobretudo questionando qual seria a posição tomada pelo chamado “Grupo do Dr. Vitório” ante o quadro que se apresenta às eleições de outubro próximo futuro, venho expor o quanto segue.
Meu pai faleceu a 8 de maio de 2015, após oito anos em Estado Vegetativo Persistente, decorrente da hipóxia cerebral ocasionada por diversas paradas cardíacas.
Quando criança ele foi engraxate, pregou caixinhas de madeira para acondicionamento de figo, cavalgava no pangaré Zaino, jogava futebol; jovem, foi caminhoneiro e oleiro; adulto, foi dentista, marido, pai e avô; na política local, foi vereador, presidente da câmara, vice-prefeito e prefeito eleito por três vezes. Quando criança não foi engraxate por necessidade, mas porque meu avô o ensinou a trabalhar desde cedo. Era um cristão católico que dedicou boa parte de sua vida às ações pastorais. Na época em que foi vereador, esta era uma função não remunerada; no exercício dos cargos públicos foi reto, agiu conforme suas convicções morais e nunca os usou a fins escusos ou persecutórios. O tal PODER é coisa transitória.
Por ocasião de seu funeral, todos da família mais próxima concordamos com que a cerimônia ocorresse na capela do cemitério municipal, embora à época nos fossem oferecidas as dependências da sede do legislativo e também do executivo. Agradecemos e declinamos: a Páscoa nos iguala a todos. Réquiem, meu pai, réquiem... Cumpriu-se a sua jornada, descanse.
Neste momento, às vésperas das eleições municipais, quando alianças políticas são feitas e/ou quebradas, ainda há dentre os eleitores quem se pergunte ou ainda quem pergunte a mim: a quem cabe o espólio político de Vitório Antoniazzi? Ora, cabe apenas ao passado dele mesmo e é impossível imaginar uma, diga-se: unção sucessória.
Os atuais candidatos têm suas virtudes e defeitos próprios, como todos nós. Cada qual tem sua história e currículo. Isto é o quanto basta e o povo há de escolher seus representantes livremente, ou até deixar de escolhê-los, caso não se sinta representado por nenhum.
Assim, norteado pelo Quarto Mandamento (honrar pai e mãe), rogo aos candidatos e seus simpatizantes que não usem o nome de Vitório Humberto Antoniazzi para angariar, romper ou justificar acordos políticos, muitas vezes sem estofo algum.
Por favor, que os mortos possam descansar em paz.
Muito obrigado.

Fernando Antoniazzi*

 

*O autor é politicamente incorreto