A cultura e seus conselhos

Quando assumi como diretor do Departamento de Espaços Culturais na Secretaria de Cultura e Turismo de Valinhos, no início de 2013, fazendo um diagnóstico das políticas culturais, foi possível notar a grande falta que o Conselho de Cultura fazia, frente à necessidade latente de debate das políticas públicas na área da Cultura em Valinhos. Assim, foi iniciado um trabalho de entendimento que, com apoio e participação de muitas pessoas, culminou na criação do novo Conselho de Políticas Culturais e do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural, que foram criados em 12 de maio de 2016, por meio das Leis Municipais Nº 5.275 e Nº 5.276.
Na área da Cultura, será possível estimular ainda mais a democratização e a descentralização das atividades de produção e de difusão culturais no município, com mais acesso e fruição de bens culturais e de preservação da memória cultural e artística. Já na área do Patrimônio Cultural, tanto material quanto imaterial, será possível propor diretrizes para a uma nova Política Municipal de Defesa e Proteção do Patrimônio Cultural, Histórico, Artístico, Estético, Arquitetônico, Arqueológico, Documental e Ambiental. Por exemplo, imóveis com estes valores poderão ser tombados pela lei e ter acesso a verbas governamentais para seu restauro e conservação. Assim, Valinhos passará a respirar um ar diferente em sua trajetória cultural. O conselho que fica é: participe você também!
Impossível falar em Cultura, nesta semana, mais especificamente no dia 6, sem lamentar a morte, aos 77 anos, de Ventura Ramirez, cantor, compositor e um dos maiores violonistas de sete cordas que o Brasil já teve. Ele ficou conhecido por acompanhar músicos renomados como Nelson Gonçalves, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho, Orlando Silva, Luiz Gonzaga, Cartola e Lupicínio Rodrigues e por integrar o Demônios da Garoa por mais de 40 anos.
Grande parte de minha inspiração musical vem de Ventura Ramirez, pelos seus solos e arranjos que fazia para as músicas do Demônios da Garoa. Tive o imenso prazer de conhecê-lo, em outubro de 2000, quando o Demônios da Garoa esteve em Valinhos, para um show interno na Unilever. Após isso, encontrei-me várias outras vezes com Ventura, entre elas, em uma ocasião na loja Del Vecchio, em São Paulo, quando ele me recebeu, conversamos e ele me deu várias dicas musicais, e, por fim, autografou o meu primeiro violão, um violão simples, escrevendo as palavras: “Com carinho, amor, respeito, do amigo, Ventura Ramirez”. A ele, guardo toda minha gratidão pela inspiração e desejo que encontre a paz e o descanso merecido. Deixará saudades pela sua grande atuação musical. Bravo!