Cracolândia

Provavelmente você já ouviu falar da Cracolândia, essa aberração que nos assombra todos os dias e por incrível que pareça as nossas autoridades constituídas pouco conseguem fazer na prática para desmontarem essa “cidade fantasma”, que estão construindo desordenadamente sem parar.

A Cracolândia sinônimo de terra do crack existe há 30 anos, a primeira apreensão de crack na cidade de São Paulo foi no dia 22/06/1990, quando a polícia prendeu um rapaz com 220 gramas de entorpecente. De lá para cá a cada dia aumentou exponencialmente o número de dependentes de crack, constituído de homens, mulheres, jovens e idosos que não fazem mais nada na vida a não ser se drogar. Há estimativas de que sejam em torno de 57.000 os usuários só na Cracolândia. Esses dependentes perceberam que a união faz a força e estando juntos adquirem liberdade de consumo e de fácil recepção aos traficantes e de suas drogas. Dentro da Cracolândia há feira aberta de crack que a cidade de São Paulo a mais desenvolvida do país não consegue eliminar.

Os usuários se concentram em ruas da capital paulista, iniciaram próximo à Região da Luz na estação Júlio Prestes e já migraram para mais 7 bairros. Armam tendas improvisadas com tecidos imundos, dormem em pedaços de papelão, se aglomeram e praticam pequenos furtos, andam seminus, tomam conta de calçadas e algumas ruas, parecem um formigueiro humano desordenado ou robôs dessincronizados. A química da droga afeta diretamente o cérebro, dando a impressão que são zumbis.  Jogam o lixo por onde passam, não tomam banho, não trocam de roupa, não fazem a barba ou cabelo, fazem suas necessidades fisiológicas em qualquer lugar, emporcalham as ruas inteiras com lixo de toda espécie, e os varredores de ruas não tem nem como entrar nesses recintos, a não ser quando a polícia faz alguma operação coordenada e obriga a mudarem de local para outro ponto de outras ruas.      

Houve várias tentativas de se acabar com a Cracolândia, em 2005 quando o prefeito de São Paulo era Jose Serra a prefeitura fechou bares e motéis ligados ao tráfico de drogas e em 2007 com Gilberto Kassab foi lançado o programa denominado “Nova Luz”, para promover a reconfiguração e requalificação da área ocupada pelos usuários de droga. Assim que João Doria tomou posse como prefeito de São Paulo, chegou a anunciar o fim da Cracolândia, mas o que acabou mesmo foi o “Programa de Braços Abertos”, no lugar a prefeitura criou o “Programa Redenção”, e entrou na justiça para internar à força os usuários de drogas que se espalharam pelas ruas da região central, o Tribunal de Justiça negou o pedido.     

Existem países que já passaram por isso como a Alemanha e os Estados Unidos e o sucesso foi devido as internações involuntárias, conhecidas como compulsórias, onde o usuário é internado mesmo contra a sua vontade, mas como o Tribunal de justiça negou o pedido, a prefeitura paulistana achou melhor deixar como está para ver como é que fica. Em 06/06/2019 Jair Bolsonaro sancionou com vetos a Lei 13.840/19, englobando ações nos planos federal, estadual e municipal permitindo a internação compulsória em até 90 dias, mas desde que preencha alguns requisitos, alterando a antiga Lei 13.343/06.  Como a Lei sofreu alguns vetos pelo presidente Bolsonaro, ela voltou ao Congresso e deve esperar a tramitação regulamentar que só Deus sabe quando será. 

O intuito de escrever esta matéria é de se precaver com o que vem por aí, pois logo
nossa cidade ou região poderá ser criadouro de novas Cracolândias, e como estamos sujeitos às mesmas leis temos de buscar soluções possíveis de proteger os nossos filhos e amigos desse mal que assola os nossos tempos.