Cento e vinte e um anos do nascimento de Flávio de Carvalho

Eu não o conheci pessoalmente, mas ao longo de 14 anos como Secretário de Cultura aqui em Valinhos, soube de muitas histórias cujo personagem era o nosso famoso artista modernista Flávio de Carvalho.
Polêmico, desafiador e estrategista para conseguir seus intentos, Flávio servia-se das mais inusitadas artimanhas para chamar a atenção.
Uma delas foi quando recebeu aqui em Valinhos, para hospedar-se na Casa Modernista da Fazenda Capuava, uma personalidade famosa que diziam ser uma condessa. Houve um burburinho na cidade e todos esperavam a chegada de tamanha personalidade, que deveria desembarcar de trem, um domingo pela manhã e como seria recebida pelo Flávio. Certamente não seria levada para a Fazenda no seu famoso DKW. Esperavam uma Limozine.
À chegada do trem e o pronto desembarque da famosa personagem, eis que surge o nosso artista montado em uma carroça velha, tracionada por um burro, toda enfeitada com flores bem grandes de papel crepom, multicoloridas. E lá foi a ilustre personagem para mais uma aventura Flaviana.
De outra feita, em uma tarde quente de verão, ele veio para a cidade para alguns serviços, entre eles uma atividade no Cartório de Ofícios (era assim que se chamava), vestindo uma calça cujas pernas ele cortou, bem curtas (ainda não se usava bermudas por aqui).
Ao entrar no Cartório foi recebido com espanto por aquela majestosa datilógrafa, muito conhecida na época por seus seios exuberantes, e pelo Tabelião (era assim que se chamava), e que dizia ser descendente da Família Real. Ele foi convidado a retirar-se do recinto por estar vergonhosamente vestido, com as pernas peludas à mostra (segundo o conceito do Tabelião).
Também tinha uma senhora que trabalhou na Casa da Fazenda Capuava e que dizia para os quatro cantos da cidade que ele tinha “parte com o demônio”. Isso porque no grande salão havia pendurada em uma parede, uma carranca, que trouxe de uma das suas viagens ao interior do país. Grande, com chifres e os olhos vazados, com uma lâmpada por dentro, aquilo quando era acesa na sala escura, era o Diabo em pessoa.
Ao lado da grande piscina onde frequentemente aconteciam banhos nus, antes era hasteada uma grande bandeira vermelha tendo como figura central, em preto, um “falus erectus”. Que era para não ficar qualquer dúvida.
A história do famoso jantar em que foi servido como prato principal, capim. Contarei em outra oportunidade.