Campanhas de conscientização

Esta semana me deparei com meu filho de cinco anos saindo da escola ansioso para me avisar que aquele dia era o Dia da Água. Me atentei ao maçante trabalho de conscientização através de campanhas durante o ano todo. Este mês acompanhamos duas campanhas importantes, a comemoração do Dia da mulher e do  Dia da Água. Desde meados da década de 1960, convencionou-se comemorar o Dia Internacional da Mulher em 8 de março. Esta data é tida como símbolo de uma série de reivindicações e conquistas de direitos, sobretudo no âmbito trabalhista, pois existem diferenças evidentes e visíveis de tratamento dispensadas as mulheres em relação aos homens. O Brasil apresenta um dos maiores níveis de disparidade salarial. No nosso país, os homens ganham aproximadamente 30% a mais que as mulheres de mesma idade e nível de instrução. Também existe a tentativa de conscientizar sobre a violência contra a mulher. Apesar do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher ser apenas no dia 25 de novembro, no Dia da Mulher também presenciamos ações efetivas para tentar reduzir a violência, com atenção especial as vítimas de estupro. Existe uma forte campanha de  conscientização das vítimas para o fato de que os agressores em sua maioria são pessoas próximas. Os autores das agressões são, de maneira geral, ex-companheiros, ex-maridos, ou ex-namorados. Apenas 6% da violência registrada  têm como autores pessoas externas às relações afetivas. Através dessas campanhas, também se alcançou uma expressiva mudança de comportamento. As vítimas que antes se escondiam, passaram a denunciam a violência logo no primeiro episódio. Isso facilita a ação policial e evita um sofrimento maior.  No caso do Dia da  Água, ele surgiu diante da sua  importância para a nossa sobrevivência e da necessidade urgente de manter esse recurso disponível. Serve para reflexão da população e das autoridades públicas sobre como tratar e dispor desse recurso natural tão importante. Essa data, comemorada no dia 22 de março, foi criada em 1992 pela ONU (Organização das Nações Unidas). Mas porque são realizadas essas campanhas? Elas são realizadas porque somos o elo mais fraco em nossa sociedade. Não estamos atentos aos alertas e as ameaças, não sabemos quando e como agir em situações de risco e nos paralisamos frente aos episódios que fogem as regras ou aos padrões que nos foram passados. Campanhas são precedidas de estudos e mapeamentos realizados para traçar ações preventivas que se mostram eficientes em estancar ou prevenir algum problema. É o melhor meio de informação à sociedade, mas se torna uma ajuda direta as vítimas e as pessoas que vivenciam diretamente ou indiretamente os problemas ou temas abordados.  São extremamente importantes e devem ter seu valor reconhecido. Ao depararmos com campanhas de conscientização, antes de julgá-las  desnecessárias, devemos lembrar que elas podem ser uma luz a alguém que se encontra perdido.

 

Rachel Lavorenti Rocha Pardo é advogada e presidente da OAB-Valinhos