Brasil, país das desigualdades desiguais

Caro leitor, cara leitora. Converso com muitas pessoas que me perguntam o que esperar desse Brasil. Procuro ser sincero nas respostas, expondo meu ponto de vista sobre o que sei desse país em que habitamos. Em primeiro lugar, tenho minhas restrições e críticas com relação à necessidade do conceito de Estado-nação: por que um determinado pedaço de terra necessita obrigatoriamente ser considerado um país? Como sabemos, isso é muito recente na história. Mas vamos lá. Especificamente no caso brasileiro, muitos pensadores já expuseram, ao longo da história, as impressões que tiveram sobre a realidade do Brasil. Se há uma linha que, de certa forma, permeia praticamente todas as análises feitas pelos pensadores, essa linha chama-se desigualdade. Na década de 1930, o intelectual Gilberto Freyre escreveu “Casa grande e senzala”, demarcando com nitidez um país desigual. Outros, mais recentemente, cunharam outros termos como Belíndia, em que o Brasil teria por um lado índices da Bélgica, e por outro, da Índia.
Com tanta desigualdade, aliás, a maior desigualdade do mundo, é impressionante que não tenhamos tido uma guerra civil generalizada. Dizem que somos desiguais economicamente, mas culturalmente integrados. Talvez seja isso, quem sabe. De qualquer forma, a desigualdade não é só econômica. A própria lei, ou a ação dela, privilegia sempre os mais abastados. Esse é o país do “sabe quem você está falando?” ao invés de “quem você pensa que é?” Aqui, é “cada um por si e Deus só por alguns”, e quando há crise, a massa grita e as elites se calam.
Esse é o país de casa grande e senzala, do “jeitinho”, do “ordem e progresso” na bandeira que nada significa, do hino que ninguém sabe cantar e que pouco valor tem.
“Essa nossa República é tudo, menos honrada, serena e lógica” (José Nêumane)
Um caro amigo disse tudo: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.
Se o Brasil é o país do futuro, só é se representa o futuro caótico da humanidade!