Biochip

Imagine, leitor, que você está descontraindo em uma confraternização de familiares e amigos, quando começa a passar mal e é obrigado a ser levado ao hospital as pressas, e na realização de exames, o médico constata a necessidade urgente de fazer uma cirurgia.
Não há muito tempo e os familiares autorizam o procedimento cirúrgico, que ao final foi um sucesso. O quadro de recuperação é favorável, e após 7 dias, você está apto para retornar para casa.
Como de praxe, o médico que realizou o procedimento lhe explica o que ocorreu, e no final diz que aproveitou o procedimento e inseriu em seu corpo um biochip! Isso mesmo, um biochip! São pequenos circuitos eletrônicos, dentro de uma cápsula de vidro. Este chip possui todas suas informações de sua vida, desde seu CPF, senha dos cartões de bancos, endereço, tipo sanguíneo, peso, altura e até substâncias que podem causar reações alérgicas, realiza transações bancárias, desbloqueia celular e computadores, destrava catracas. Ou seja, a intenção é ter todas informações para facilitar seu acesso.
No ano passado, um morador de Belo Horizonte foi o primeiro brasileiro a implantar chip em sua mão, do tamanho de um grão de arroz. O custo para o implante do chip foi de R$ 600. É bom frisar que esta pessoa foi ao médico e o profissional não aceitou realizar o procedimento, e quem aceitou executar o implante foi um estúdio de tatuagem.
Na cidade de Santa Bárbara d’Oeste, a Procuradoria Geral da Justiça de São Paulo suspendeu a eficácia da Lei que proíbe o implante de chips eletrônicos em seres humanos, pois justificou que invade a competência legislativa da União.
A proposta foi vetada pelo prefeito, mas foi derrubada pelos vereadores, e virou lei no final de 2015. O autor foi o vereador Carlos Fontes, que na sua justificativa o “Apocalipse” está próximo, e o cidadão que não tiver a “marca da besta”, não será inserido na sociedade.
Do jeito que caminham as novas tecnologias de segurança, o biochip poderá se tornar obrigatório. Esta tecnologia vai continuar a se aperfeiçoar e dificilmente será evitada. Talvez quem sabe um dia não será mais possível abrir uma conta bancária, pagar algum produto, sem antes implantar o biochip na mão ou no rosto. 
Independente de crença ou não, independente da tecnologia ou não, independente da modernidade ou não, você leitor tem coragem de aderir a implantação de biochip em seu corpo? Realizei uma pesquisa informal com 20 pessoas e apenas 1 pessoa autoriza. Ou seja, é novidade, as pessoas estão inseguras e boa parte nunca ouviu falar sobre esse tal de biochip.
Não pretendo colocar o chip, não por questões religiosas ou crenças, mas sim pelo critério de liberdade e segurança. Quem garante que este procedimento não será utilizado em um futuro rastreamento, onde qualquer autoridade ou entidade poderá fiscalizar o que fazemos e como realizamos. Seremos um verdadeiro big brother.

Edmilson Barbarini

Edmilson Barbarini é servidor público municipal, bacharel em ciências contábeis.