A Atitude de um Cristão

Pe. Tarcísio Pereira Machado
Valinhos, 31/03/2020.

No populoso Oriente, Wuhan,China despontou-se um vírus (vírus em latim – veneno a um determinado organismo) para o organismo vivo. Tudo teve seu início na segunda quinzena de janeiro quando se avolumou e se alastra numa velocidade jamais vista. Espanto, descrédito, alguns pensavam - está longe, não chegará por aqui, isso é notícia para causar impacto, sensacionalismo! E a verdade vem tomando forma, fazendo história e, certamente, dará uma nova direção na vida das sociedades. O vírus não faz escolha, vem varrendo os continentes com seu ciclo evolutivo. Muitas respostas foram dadas em todos os sentidos, para a maioria é compreensível, outros recusam, em todo sentido é drástica. Para outros tem sido oportunidades fantasiosas produzidas pelos fakenews, que contribuem para tumultuar uma situação tão séria.
O cenário está globalizado no que diz respeito ao sofrimento na velocidade da internet! Diante de tanta rapidez e ceifando a vida em todas as faixas etárias, com maior proporção à população mais vulnerável pela fragilidade, própria da idade avançada e, sobretudo, nos países considerados ricos. Em pouco tempo decretos de governos, sugestões, orientações do ministério, próprio da área, correntes de oração por todos os lados, a desordem planetária está montada. Ora, se Deus inspirou o homem para o caminho preventivo em que a ciência médica orienta, com segurança, para o confronto com o vírus, invisível e de tremenda sutileza, será necessário uma postura radical por parte das pessoas – primeiro escutar – depois, ser obediente.
Para este momento, entra justamente a nossa dimensão de fé, isto é, colocar em prática e reconhecer o conhecimento científico que foi dado a um profissional, qualificado para orientar neste campo da ciência médica. Não tentarás a Deus querendo se expor, arriscando de forma ignorante, isto é, menosprezando a ciência e, inclusive, o saber iluminado que Deus graciosamente deu ao profissional. Estas são as pessoas responsáveis, que amam o que aprenderam e o que fazem em favor do ser humano. A nossa fé nesta hora polêmica, dará a nós o senso do equilíbrio para filtrar os ridículos que as fakenews têm produzido com propostas miseráveis e também àqueles que falam sem pensar em nenhuma consequência. Uma fé adulta, escuta com atenção um órgão conduzido por pessoas que falam a partir da convicção da ciência. Devemos considerar que tudo procede de um órgão habilitado em nível de conhecimento científico, pelas melhores academias de estudo sobre a saúde, são orientações que estão comprometidas com a vida. O único objetivo é preservar a saúde,  portanto, para que a vida seja aproveitada da melhor forma possível.
A fé e a ciência não são contraditórias e nem complementares, mas cada uma age no seu campo de saber, por isso gozam do limite da prudência e se guiam pela verdade gerada pelos critérios científicos. Não é momento de arriscar para ver o que acontece – atitude devidamente irrefletida, sem critérios, somente uma ação por impulso, não se pode mensurar a consequência. Não é hora para isso! Não é hora de fideísmo (doutrina filosófica surgida como resposta ao racionalismo e liberalismo nos anos de 1870, em que a postura da fé era o suficiente para superar qualquer situação.Os defensores dessa visão são: Louis Eugène Marie Bautain, A. Gratry, A. Bonetty e Lammenais). Portanto, nesse momento a fé deve conduzir ao equilíbrio, à paciência, ao zelo e, sobretudo, à obediência da orientação científica. Depois vai correr atrás do prejuízo que foi gerado com certa previsão do equívoco, argumentando que é o destino que conduziu a esta situação. Ora, não é uma atitude com equilíbrio mental dizer desta forma. Se uma sociedade se organiza somente pela dimensão financeira é obtusa, gananciosa. A vida é composta de outros aspectos e com outras visões de mundo. O prejuízo em todo sentido já ocorreu desde o momento em que o vírus tomou sua forma, que ainda não se mencionou se foi uma criação em laboratório ou se tem outra origem. Porém, diante de qualquer descoberta, o problema é fato e se multiplica potencialmente em todos os ambientes e climas.
Portanto, a atitude de um cristão é ouvir a autoridade competente, habilitada para orientar sobre os procedimentos corretos, preventivos e curativos. Faz parte da fé, a humildade em reconhecer que Deus fala através do conhecimento científico, que foi conduzido com a finalidade da preservação da vida. Cada sociedade, bem coordenada com espírito humanitário, saberá aplicar a orientação para saúde, de modo que a atividade de mercado extremamente necessária se organizará para manter os serviços essenciais.