Anotaram a placa?

Pelo jeito vai-se o tempo em que qualquer um poderia anotar ou memorizar as 3 letras e os 4 números das placas dos veículos, onde constava também o nome da cidade de origem e oEstado. Como era prático, qualquer transeunte alfabetizado memorizava ou anotava, principalmente quando havia a necessidade de investigação para descobrir os motoristas desses veículos infratores no trânsito. Era fácil a testemunha passar esses dados para a polícia ou ao pessoal de trânsito.

Iremos lembrar que éramos ou por enquanto ainda somos condescendentes no trânsito com motoristas de outras cidades estampadas em suas placas, aturando as suas barbeiragens, pois às vezes se perdem e ficam atrapalhando o transito. À medida que víamos placas de outras cidades algumas pitorescas, batia aquela vontade de pegar a estrada e dar uma viajada também, mas isso está com os dias contados, vamos perder esse incentivo implícito ao turismo e no Brasil inteiro.

“De repente não mais que de repente” como já dizia o saudoso poeta Vinicius de Morais, resolveram mudar a nossa placa veicular de cada dia, é amarelinhos se cuidem, vai sobrar pra vocês também, certamente ficarão vermelhos de tanto nervoso por não conseguir anotar as placas completas ou corretas dos veículos infratores, vai ser um deus nos acuda, vão precisar de módulos de treinamento específicos como o de “fixação visual relâmpago”, avaliação de acuidade visual... e outros se não inventarem mais novidades dessas. Nos emplacamentos atuais estão utilizando placas do modelo adotado pelo padrão Mercosul, englobando Argentina, Brasil e Uruguai. Soube agora que os órgãos de trânsito entre eles o CONTRAN (Conselho Nacional do Transito), ficaram uns 4 anos discutindo essa nova placa e o Estado cobaia foi o Rio de Janeiro. Houve até mudanças retirando os brasões que serviam para identificar o Estado e o município, não é demais? O Estado e município serão identificados em cada placa pelo QR Code, novo sistema identificador que está substituindo o código de barras em quase todas as coisas.

Infelizmente para nós leigos a mudança veio para piorar nosso entendimento, não saberemos mais de onde são os forasteiros em nossa cidade, sua cidade de origem e Estado. Se não bastasse aquela tomada de três pinos, que tivemos que engolir, diferente de todo o padrão mundial, depois aquele kit obrigatório de primeiros socorros e agora vem essa placa em nossa cabeça. As autoridades nesse seguimento dizem que com essa nova placa que foi em parte copiada da Europa, ficará fácil identificar carros roubados de um país para outro ao tentar passarem pelas fronteiras, nessa parceria com outros países do Mercosul. Dizem que a placa ficará mais barata pois não requer o lacre na parte traseira e não será por enquanto obrigatória, só nos carros novos. As novas placas terão o nome do país, e os números ficarão embaralhados, antes da esquerda para a direita eram 3 letras e 4 números, agora são 3 letras, um número, 1 letra e 2 números. A partir dessa combinação alfanumérica poderão fabricar até 450 milhões de combinações diferentes contra 175 milhões que era anteriormente. É nessa combinação embaralhada e de ter ainda uma letra entre números é que torna difícil a memorização, sem contar que escolherem um modelo de número que as vezes parece ser letra.

Existem várias maneiras de se inovar, não somos contra a inovação, mas se acrescentassem somente um número ou uma letra a mais no que era antes, ou se fizessem placas variando sua cor, a cada cor introduzida poderia ser multiplicada pelas 175 milhões de combinações, um sistema muito mais robusto e quase infinito de combinações sem precisar complicar tanto.