Afinal o que é acessibilidade?

Quando abordamos o tema acessibilidade, a imagem que vem em nossa mente é a do símbolo universal da Pessoa com Deficiência, no qual uma pessoa está sentada em uma cadeira de rodas.
Em razão disto, acabamos por relacionar o termo acessibilidade a barreiras arquitetônicas, como: falta de guias rebaixadas, escadas sem corrimões dos dois lados, calçadas desniveladas e completamente esburacadas, desrespeito as vagas especiais para veículos conduzidos ou que transportem pessoas com deficiência, etc.
Mas quando falamos de acessibilidade estamos trazendo à luz uma medida para qualidade de vida e mobilização em torno das pessoas com deficiência no Brasil e, principalmente, em Valinhos.
A chave para atingir esse objetivo está no conceito de acessibilidade. Quando estive em Brasília no IV Encontro Nacional de Conselheiros de Direitos das Pessoas com Deficiência, em novembro de 2010, tive o prazer de conhecer Romeu Kazumi Sassaki, consultor de inclusão escolar, educação inclusiva e da Escola de Gente, e profissional do Banco Mundial.
Ele ensinou-me uma grande lição, que “o conceito de acessibilidade deve ser incorporado aos conteúdos programáticos ou curriculares de todos os cursos formais e não-formais existentes no Brasil, pois hoje a acessibilidade não mais se restringe ao espaço físico, à dimensão arquitetônica”.
Foi com Sassaki que aprendi que o conceito de acessibilidade possui seis dimensões distintas e complementares: a arquitetônica, a comunicacional, a metodológica, a instrumental, a programática e a atitudinal.
Ele nos lembra que “todas essas dimensões são importantes. A falta de uma, compromete as outras”.
Devemos ter em mente que acessibilidade é promover uma maior igualdade de oportunidades a este grupo de cidadãos brasileiros. Lembro que a acessibilidade só será entendida e vista como algo a ser cumprida, quando a inclusão de alunos com deficiência acontecer naturalmente na rede pública de ensino.
Hoje quando se fala em acessibilidade, parece que estamos tratando de um assunto complexo, secreto e de difícil solução. Mas não é bem assim.
Necessitamos ter uma visão voltada para dignidade humana, pois somente venceremos o desconhecido através da coragem e boa vontade.
Vejamos o caso dos alunos com deficiência, que até pouco tempo atrás eram segregados, em instituições voltadas para estas pessoas. Eram excluídas por serem diferentes.
Mas à medida que forem incluídas, suas necessidades serão reconhecidas e incorporadas às demais questões da sociedade e das instituições de ensino.
Não tenho dúvidas que, com a prática da educação inclusiva, a demanda por acessibilidade será deflagrada até se tornar lugar comum.
Somente assim o termo acessibilidade será facilmente entendido quando for natural uma criança ouvir seu amigo cego ler um livro em Braile, ou sua amiga surda assistir uma palestra com intérprete de Libras, ou, ainda, seu colega cadeirante poder ter acesso a todos os lugares da escola, bem como seu coleguinha com Síndrome de Down brincar com ele na hora do recreio.
São justamente estes meninos e meninas que irão um dia participar da elaboração das políticas públicas. Precisamos incorporar, num ritmo muito maior, a acessibilidade para que nossos jovens possam estudar e trabalhar tendo ao seu lado pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e que isto seja visto com naturalidade. Acessibilidade é igualar oportunidades para todos.

 

Vagner Alves é consultor em acessibilidade, formado em Administração pela Faculdade Anhanguera Educacional de Valinhos e Gestão Pública pelo INPG