Folha entrevista Pai de Santo Marco Antônio de Oliveira

Folha entrevista Pai de Santo Marco Antônio de Oliveira

Série: Deus nos esqueceu aqui?
Diante da repercussão da Série Especial ‘Deus nos esqueceu aqui?’, publicada pela Revista Up! Valinhos na edição de fevereiro, a Folha de Valinhos optou por publicar outros trechos da entrevista realizada com líderes religiosos de perspectivas diferentes sobre o momento da pandemia da Covid-19 que a humanidade enfrenta e a atuação de Deus nesse período. Nesta edição, o Pai de Santo Marco Antônio de Oliveira, do Templo de Umbanda Cacique Ubiratã e Pai Sacomé, localizado no Jardim Pinheiros, fala sobre Deus, espiritualidade e religião em tempos de pandemia.

Onde está Deus na pandemia?
Deus e suas Divindades, que pra nós Umbandistas são representados pelos nossos Orixás e Entidades. Entendo que eles estão para nós a todo o momento de nossas vidas. Eles estão para todos e por todos. Mas somos responsáveis em ir a sua busca. As irradiações divinas somos nós os encarnados, que devemos a todo o momento estar à sua busca. A nossa Fé, por exemplo, é uma energia emanada para todos nós por Olorum (Deus) através do nosso Orixá Maior, Oxalá (o filho). Esta qualidade Divina, essa energia emanada para todos, são coisas que nós, os encarnados que precisamos a todo o momento estar renovando, praticando e trabalhando isso dentro de cada um, para que não se apague a chama de nossa fé. Isso vale para todas as qualidades Divinas de Olorum, vale para o Amor, para a Justiça, para a Ordem, para nossa evolução e para nossa vida. Todas essas energias Divinas são emanadas por Olorum e suas divindades. Portanto, entendo que Deus e suas Divindades estão onde sempre estiveram, mesmo em tempos de Pandemia, Deus está dentro de cada um de nós, basta acreditar e nunca desistir.

Como a pandemia afetou a espiritualidade?
Para algumas pessoas foi afetado negativamente, pois muitos tiveram que se afastar de seus Templos religiosos, local onde se fortalecem para a busca de sua fé. Para outras pessoas nada mudou, pois a questão da espiritualidade, de estarmos bem ou não, está na sua prática diária e não somente nos templos religiosos. Digo sempre que ‘estarmos bem espiritualmente é estar preparado para as adversidades da vida’. Esta é uma frase de um indiano que li há muitos anos e a pratico. Eu acredito muito nisso. A pandemia nos fez enxergar o mundo de outra forma. Fomos obrigados a nos proteger, fazendo o isolamento social. Nos fez pensar em inúmeras coisas que não tínhamos muito tempo para fazer. Porém aqueles que foram obrigados a tudo isso, mas estavam bem com sua espiritualidade, ou seja, praticando aquilo que Deus espera que cada um, para esses pouco mudou, além e tão somente, não poder ir ao Templo religioso que frequentam. Portanto, acredito que a pandemia fez com que todos pensássemos mais, agíssemos mais em torno de um acreditar maior e muitos se realinharam novamente as coisas de Deus. Como dizemos na Umbanda, ‘ou praticamos pelo amor ou pela dor’.

Como a religião pode contribuir com a sociedade?
Todas as religiões contribuem de forma positiva para Deus. Pois as religiões são a ‘mola mestre’ de cada um de nós, onde deixamos de ser seres extintivos para sermos seres racionais e emocionais em nossas atitudes. Para a sociedade eu entendo que os fiéis das religiões é quem podem contribuir positivamente para a sociedade. Praticando as coisas de Deus ensinadas e repassadas pela sua religião. E reforço, praticando, não somente ir aos seus cultos, e somente ficar na sua mente o que lhe foi transmitido. Mas precisa estar em suas ações, comportamentos e sentimentos. O grande problema para a sociedade está exatamente neste ponto, no praticante da religião, no encarnado. Este é o elo mais fraco de tudo isso. Vemos muitas religiões levando até seus fiéis mensagens de amor, de fraternidade, de união, de respeito e o principal, o amor ao Ser Supremo, que cada um entenda ser o seu Deus. Lembrando que Deus é um só, porém as religiões praticam de formas diferentes, mas com o mesmo pensamento neste único Ser Supremo. Portanto, acredito que cada religião que conseguir repassar aos seus fiéis, e se estes fiéis praticarem com responsabilidade, com respeito e amor ao próximo, terá cumprido a essência da religião, a essência do Pai Maior, ao qual podemos chamar de Deus, de Olorum, isso tanto faz desde que eu seja um filho Dele e que eu seja o seu orgulho.