Senhor conectado

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Além de textos, João Brocchi escreveu um livro e criou um blog para postar o material escrito; ele também criou um perfil na rede social Facebook

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João Brocchi tem 95 anos. Foi conhecer o mundo virtual aos 92 anos quando fez o curso de informática oferecido pela Prefeitura na Biblioteca Municipal. Com o olhar distante, passos firmes, voz que dispara sílabas bem desenvolvidas, Brocchi chegou na oficina improvisada como uma casa que mora com o filho Tadeu dirigindo um Honda Civic modelo 2000. Depois de morar por 60 anos em Campinas e um ano em Pedreira, João chegou a Valinhos após a morte de sua esposa, Amelinha, em 2009.
“O primeiro lugar que fui quando cheguei foi à Biblioteca”, revela. Entre o cadastro para a retirada de livros e a escolha de algum exemplar, ele ouviu a conversa de uma doação de computadores para a biblioteca feita pela Rota das Bandeiras. As máquinas seriam utilizadas para um curso gratuito oferecido pela Prefeitura no espaço. As aulas duraram um ano
e meio. O suficiente para João Brocchi colocar na tela no computador o sentimento de saudade e amor que sente por Amelinha, “a moça mais bonita de Guaxupé”. Brocchi começou um processo intenso de produção de textos de memórias e poemas que se remetem à Amelinha. “Não me interessava me aprofundar na informática, queria apenas aprender a usar para
escrever”. Além dos textos, João Brochhi escreveu um livro contando sua história e de Amelinha, criou um blog para postar com ajuda dos netos o material escrito e abriu um perfil na rede social Facebook.
Aliado à produção escrita, o ritmo de leitura é avassalador. Um livro por semana. “Li tudo sobre Érico Veríssimo, Machado de Assis e toda a literatura brasileira”. A frequencia com que lê e escreve lhe dá como consequência uma vida ativa. Faz todas as atividades do dia a dia com autonomia. Dirige, toma os remédios, faz exames de rotina, viaja até 200 quilômetros sozinho. E ainda acha espaço para uma dose de whisky