Secretária de Saúde fala sobre a 'guerra' de combate ao coronavirus

Secretária de Saúde fala sobre a 'guerra' de combate ao coronavirus

“As pessoas precisam ficar em casa nesse momento”
“As pessoas precisam ficar em casa nesse momento”

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Nome: Carina Missaglia
Idade: 54 anos
Formação: Enfermeira Sanitarista
Tempo de Carreira: 30 anos

“As pessoas precisam ficar em casa nesse momento”

À frente do combate à pandemia de coronavírus na cidade, a secretária de Saúde de Valinhos fala com exclusividade à Folha de Valinhos sobre o atual cenário do município no que diz respeito ao enfrentamento ao COVID-19.

Qual a principal estratégia de combate ao Coronavírus em Valinhos?
A principal estratégia é o isolamento social, entretanto a articulação entre todos os setores da saúde é essencial para que toda a população tenha um atendimento digno.

A saúde está preparada para um considerável aumento no número de casos?
Sim, a Prefeitura como um todo está preparada. Temos um prefeito médico que tem nos dado todo o suporte necessário para esse momento de crise. Isso faz toda a diferença, ele entende do que estamos falando e sabe do que precisamos. Estamos em reuniões diárias com todos os setores da saúde municipal, em conjunto com a Secretaria de Defesa do Cidadão, estruturando plano de contingência para a possibilidade de aumento do número de casos, e com as Secretarias de Licitações e da Fazenda para que possamos manter em funcionamento da estrutura para atendimento da população.

Sabemos que a invasão de fronteiras sempre foi uma dificuldade enfrentada pela Saúde de Valinhos. Cerca de 30% dos pacientes atendidos na UPA – em períodos normais- são de outras cidades. Acredita que este número aumente devido ao COVID? Vai impactar os atendimentos em Valinhos neste período?
Estes pacientes vindos de outros municípios, sempre tiveram impacto importante na saúde de Valinhos, acredito que nesse momento não será diferente. Mas o importante nesse momento é estarmos preparados para atender a demanda e salvar vidas, que é nosso objetivo principal.

Como Secretária de Saúde e líder do grupo de trabalho combate ao vírus, qual a sua percepção sobre a situação em Valinhos? Acredita que o isolamento pode ajudar a frear a disseminação da doença no município?
A situação de Valinhos está sob controle atualmente, nós estamos monitorando diariamente os casos confirmados e suspeitos. Não restam dúvidas de que o isolamento é de extrema importância para a não disseminação da doença e eu faço aqui um novo apelo. As pessoas precisam ficar em casa nesse momento.

Algumas pessoas- incluindo homens e mulheres acima dos 60 anos – estão fazendo caminhadas ao ar livre- na rua, por exemplo – para amenizar a sensação de solidão e enclausuramento. Elas são indicadas/autorizadas? Se sim, quais cuidados devem ser tomados?
Mantemos a recomendação do Ministério da Saúde, nesse momento pessoas com mais de 60 anos devem permanecer em isolamento social, preservando assim suas vidas. Ao mesmo tempo, recomendamos que as pessoas não saiam de casa de uma forma geral. Só em casos de necessidade. Precisamos evitar o contato social.

Quantos funcionários atuam hoje em Valinhos no enfretamento da doença?
Hoje contamos com 324 servidores entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, lembrando que há inúmeros outros profissionais da saúde na linha de frente para atender o combate ao coronavírus.

Parte da população acredita que a quarentena é uma medida exagerada e defende a reabertura do comércio. Caso o governo decida flexibilizar as medidas restritivas, qual o impacto que isso traria hoje para o sistema de saúde de Valinhos?
A quarentena é medida necessária para que não haja maior disseminação do vírus e que para que não haja colapso no sistema de saúde, lembrando que temos o controle diário dos casos suspeitos e seguimos as orientações da Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde. Nesse momento, temos que respeitar essa quarentena. O prefeito nesse sentido tem sido muito enfático, e eu gostaria de reforçar isso. O isolamento é a forma mais eficiente de reduzirmos o número de pessoas que vão ficar doentes em nossa cidade.

Qual tem sido o principal desafio enfrentado pelo grupo de trabalho?
O principal desafio enfrentado pelo grupo de trabalho é o recebimento de EPIs para que os servidores possam trabalhar com segurança. A Secretaria da Saúde realizou compras de EPIs, porém as empresas não estão entregando as quantidades necessárias para suprir nossas necessidades. Temos buscado alternativas, como a contratação de costureiras para produção de aventais e máscaras. Há ainda costureiras voluntárias produzindo esses equipamentos. Nesse momento de crise, a união em torno de um objetivo comum é muito importante.

Você e uma servidora de carreira, que vive a saúde pública de Valinhos, há muitos anos. Localmente, já viveu algo parecido?
Em igual proporção nunca vivi, porém já passei em 2009 pela epidemia de H1N1.

Como Secretária da Saúde quais ensinamentos você está tirando de toda essa responsabilidade que lhe foi imposta?
Que planejamento é fundamental para que consigamos cumprir com as necessidades que se apresentem, além de que todas as Secretarias do Município precisam estar alinhadas e que a população precisa ter a consciência para atender as orientações que lhes cabem, pois a administração pública é apenas uma parte do todo.

Quais os principais desafios de gerir a Saúde neste momento?
Manter a UPA, Unidades Básicas de Saúde e Unidade de Atendimento em Pediátrica e Ginecologia/ Obstetrícia, em pleno funcionamento, garantindo segurança aos servidores e munícipes.

Deixe uma mensagem para os cidadãos.
Que continuem a seguir as orientações da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde, e que cuidem com carinho de sua saúde e familiares. Fiquem em suas casas. Saiam apenas quando for muito necessário. Isso é fundamental no momento que estamos vivendo.

Deixe uma mensagem para os profissionais de Saúde.
Não há palavras para expressar o mais profundo agradecimento e gratidão a todos profissionais da saúde, principalmente os que permanecem na linha de frente, que mesmo temerosos de serem infectados se deslocam de suas casas dias e noites e dedicam seus trabalhos com respeito e amor. A eles, o meu respeito, e que Deus abençoe a todos nós.