Professora valinhense participa de Programa sobre Educação Básica no Canadá

Professora valinhense participa de Programa sobre Educação Básica no Canadá

Arquivo Pessoal

Professora Nadia em apresentação em sala de aula no Canadá. Formada em pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia, Nádia é professora há 16 anos do Fundamental 1 da rede Municipal de Ensino.
Professora Nadia em apresentação em sala de aula no Canadá. Formada em pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia, Nádia é professora há 16 anos do Fundamental 1 da rede Municipal de Ensino.

Após ter passado por um concorrido processo de seleção a nível nacional a professora Nádia Camargo, da Rede Municipal de Ensino, que obteve o 3º lugar na classificação geral da região Sudeste, ganhou o direito de participar do Programa de Capacvitação de Professores, fruto de Acordo de Cooperação entre a Capes e o Colleges and Institutes Canada – CICan.

Formada em pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia, Nádia é professora há 16 anos do Fundamental 1 da rede Municipal de Ensino. Atualmente leciona em uma sala de 5º ano na EMEB Prefeito Jerônimo Alves Corrêa e atua com a Formação de Professores do Fundamental I, na área de Língua Portuguesa, pela Rede.

O Programa de Desenvolvimento Profissional para Professores da Educação Básica no Canadá aconteceu entre os dias 8 de julho a 29 de agosto, na cidade de Niagara Falls, na Província de Ontario, no Canadá. Segundo a professora Nadia, o objetivo do programa era de “promover a capacitação de professores em efetivo exercício nas escolas públicas”.

O programa, de acordo com ela, foi dividido em duas partes, um curso básico de inglês e a formação propriamente de professores, voltado para gestão de sala de aula e aprendizagem centrada no aluno.  “Foram oito semanas de grande aprendizado e de total imersão no sistema de ensino canadense”, disse.

Para o Secretário de Educação, professor Zeno Ruedell, a conquista da professora Nadia, reflete bem a qualidade técnica e profissional dos professores que atuam nas escolas Municipais de Valinhos. “Conquistar uma bolsa da Capes, para um programa de aperfeiçoamento que é disputado em nível nacional, é demonstração de competência e qualidade técnica que só valoriza nosso magistério”, disse.

Um dos requisitos para participar do processo de seleção era que o professor estivesse atuando em sala de aula da rede pública. Além disso, o processo de seleção inclui a elaboração de um projeto de intervenção pedagógica a partir da sua própria experiência profissional, visando ao aperfeiçoamento de sua prática docente além de assumir o compromisso de realizar atividade de disseminação dos conhecimentos, sendo um multiplicador.

Abaixo a professora Nádia fala um pouco sobre sua experiência no Canada

Em qual instituição foi realizado o curso?
O curso foi realizado pelo Niagara College em parceria com a CICan (Colleges and Instutes Canada) e a Capes. O College se situa na Província de Ontário, Canadá.

Cite algumas diferenças percebidas entre o modelo de educação básica canadense e o nosso?

O modelo de educação básica do Canadá baseia-se na Pedagogia Ativa, que prevê o aluno como protagonista de sua própria aprendizagem. Apesar dessa discussão já existir há algum tempo no Brasil, ainda estamos longe de encontrarmos essa metodologia  efetivamente aplicada em nossas salas de aula.

Um ponto crucial é que todo o currículo e o trabalho efetivo em sala de aula, está pautado no desenvolvimento de habilidades e competências. No Brasil, apesar de muitos documentos oficiais, incluindo o mais atual (a BNCC) também estar pautado no desenvolvimento de habilidades e competências, ainda encontra-se muito enraizado em nossa cultura escolar, o trabalho baseado nos conteúdos. Ainda organizamos todo o currículo, mesmo que inconscientemente, na transmissão de conteúdo, alguns colégios privados são considerados de excelência por garantirem a transmissão de conteúdo. Esse não é o foco no sistema educacional canadense. Lá as avaliações não medem o quanto os alunos sabem sobre um determinado assunto, mas como eles agem diante desse assunto, se sabem ouvir as opiniões de colegas, se sabem argumentar e sustentar suas opiniões, se sabem interpretar textos de diferentes gêneros, se produzem bom textos escritos, como lidam frente a situações-problema.

Acredito que com a BNCC (Base Nacional Curricular Comum), que tem como foco o desenvolvimento de habilidades e competências, possamos avançar nessa questão.

Outra diferença relevante encontra-se na estrutura física das escolas que é financiada majoritariamente pelo governo e de uma forma secundária pela comunidade na qual a escola está inserida. O professor não precisa se preocupar com recursos materiais e tecnológicos. Eles estão lá, disponíveis e de boa qualidade.

É preciso salientar que os aspectos sociais e culturais do país contribuem para o bom funcionamento da escola. As comunidades escolares (famílias, comércios, professores, gestores) compartilham de um grande vínculo e sentimento de pertença com a escola e todos contribuem de inúmeras e diferentes formas, inclusive financeira e com prestação de serviços para a promoção de melhorias.

É possível adotar e aplicar algumas práticas lá aprendidas? Como pretende multiplicar o conhecimento lá adquirido?
Sem dúvida. Muitas das coisas aprendidas lá, já tive a oportunidade de ver professores do nosso próprio município realizar. Apesar de muitas vezes, serem iniciativas isoladas e pontuais, mostram-se bastante eficazes. Temos excelentes professores na rede municipal de Valinhos, engajados e com muita força de vontade que, muitas vezes, precisam apenas de um maior apoio e colaboração para desenvolverem um trabalho de excelência. Como tenho acesso a muitos professores através do trabalho de formação que realizo no município, acredito que este seja o canal para multiplicar o conhecimento que eu tive a oportunidade de adquirir no Canadá.

Qual sua avaliação desse período em que passou no Canadá, tendo acesso e conhecendo a educação básica deles?
Foi um período de muito crescimento pessoal e profissional. Iniciou-se por eu ter passado no processo seletivo em terceiro lugar, o que constitui-se em um reconhecimento do meu trabalho ao longo desses anos de docência.
Depois, o período em que passei lá, convivendo com professores provenientes de todo o Brasil, possibilitou muitas trocas de experiências. A convivência com a cultura canadense ao longo de dois meses, o frequentar um curso sobre educação, o contato com professores de diferentes segmentos de lá, as conversas formais e informais, enriqueceram muito meu currículo e meu modo de enxergar a educação.

Não apenas eu, mas todos os professores que participaram deste programa puderam rever suas práticas e reconstruí-las e, com toda a certeza, muitos irão contribuir não apenas com seus alunos diretamente, mas em toda a região na qual atuam, se a eles for oferecido espaço para isso.

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