Pequena grande escritora

Pequena grande escritora

Marcos Araújo

Há quatro anos, Bruna Lima despertou a essência da escrita com a ajuda da observação de um escritor que deu uma palestra na escola que estudava. A carta dele entregue por uma professora endereçada a Bruna dizia que ela deveria se dedicar à escrita.
Os rumos indicaram para que Bruna tivesse um conto publicado pela primeira vez em uma coletânea. Nesta entrevista, a jovem escritora fala de sua relação com as palavras e os livros e como o conto “O contador de estrelas” passou a fazer parte do trabalho “Escritor profissional”.

Como começou sua relação com a leitura e a escrita?

Desde que eu aprendi a ler, sempre gostei muito de gibi e livros. Sempre fui muito de ler best seller, só agora mesmo que comecei a ler os clássicos, por exemplo, o livro que eu estou lendo neste momento é Dom Casmurro.

Qual é o livro que vocês mais gostou de ler até agora?
É um livro de um escritor brasileiro, carioca, que tem 24 anos, o Raphael Montes. O nome é “Suicidas”,  um romance policial.

Você lê em média quantos livros por mês?
Depende de cada mês porque agora que estou no ensino médio tem muita prova, então estou com pouco tempo. Até então, em 2014, eu lia mais ou menos 3 ou 4 livros por mês.

Você espera terminar um livro para começar outro ou lê simultaneamente?
Vou lendo dois ao mesmo tempo. Acaba um e já pego outro, às vezes eu leio um mais rápido que o outro.

Como iniciou sua dedicação à escrita?
Eu não pensava em escrever até 2012. No começo do ano, a professora de redação pediu para a gente escrever um mito. Na época, eu escrevi um mito que deu mais páginas do que normalmente daria – as pessoas escreviam duas, três páginas, quatro já era muito. Para esse mito, eu  havia escrito 14, o que foi bastante. No final do ano, a gente recebeu na escola um escritor, o Jones Jacob, que escreveu uma adaptação da “A flauta mágica”. As salas já tinham planejados as perguntas que iria fazer, e no final dessa palestra sobrou tempo para as perguntas. Eu contei para ele que tinha escrito o mito e que tinha demorado muito porque eu apagava muita coisa, não era sempre que eu sabia o que ia escrever e perguntei se isso era normal. Ele disse que era normal, mas no dia seguinte a professora chegou com uma carta para mim falando que o Jones tinha ido atrás dela para falar de mim e tinha dito que sentiu em mim o ofício de escritor porque tinha trabalhado muito no texto, mesmo que fosse poucas páginas eu havia me dedicado. Desde então, comecei a prestar mais atenção na escrita e minha professora começou a pegar no meu pé. Comecei a escrever e me dedicar mais, escrever textos por conta própria.

Como foi o processo de produção do conto que saiu no livro “Escritor profissional – coletânea de contos”?
Eu participei de um curso no ano passado que foi ministrado pelo Raphael Montes, escritor de “Suicidas”. Era um curso online, recebia o link e entrava em uma plataforma que tinha as aulas. O curso falava sobre a carreira de um escritor, como fazer para levar seu original para uma editora, divulgar o livro. Eles batiam muito na tecla de ter um currículo para apresentar à editora. Então, eles montaram um livro em uma coletânea. Tinha que escrever um conto de qualquer tema de duas páginas e enviar até um determinado dia. Para esse conto, eu achei que não tinha nenhum conto bom para publicar até então. Pensei em escrever um novo que não sei de onde veio a ideia. Eu acordei com a ideia, no mesmo dia eu sentei e escrevi.

Qual é o enredo do conto?
A ideia é que no final seja surpreendente, e acho que consegui atingir o meu objetivo. É um homem que todo dia de madrugada vai a uma praça e fica olhando para o céu contando as estrelas. Só que ele olha para o céu e conta sempre 16 estrelas. Um dia, em uma madrugada, aparece uma menina para conversar, mas ele é um home muito seco. Ela tenta conversar com ele, e essa menina diz que mora ali perto com os pais. A partir daí, ele começa a prestar atenção.

Qual é o caminho que você faz para que o conto fique da forma que você quer?
Depende muito, mas acho se a história for boa e conseguir deixar a escrita boa fico satisfeita.

Leva muito tempo para escrever?
Escrever não, mas depois eu fico relendo muitas vezes para ver se eu acho alguma coisa.