Marcel Pazzinatto fala sobre os 5 anos da APHV

 Marcel Pazzinatto fala sobre os 5 anos da APHV

Em Valinhos, a preservação do patrimônio histórico e cultural ganhou força nos últimos cinco anos com a fundação da Associação de Preservação Histórica de Valinhos (APVH). Nesta edição, o presidente da APVH, Marcel Trombetta Pazinatto fala sobre a história da Associação e suas principais metas e desafios.
Em Valinhos, a preservação do patrimônio histórico e cultural ganhou força nos últimos cinco anos com a fundação da Associação de Preservação Histórica de Valinhos (APVH). Nesta edição, o presidente da APVH, Marcel Trombetta Pazinatto fala sobre a história da Associação e suas principais metas e desafios.

Entrevista Marcel Pazzinatto

“Temos grandes projetos para serem desenvolvidos nos próximos anos”

No dia 17 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional do Patrimônio Histórico. A data, instituída em 1998, homenageia os 115 anos de nascimento do advogado, escritor e jornalista Rodrigo Melo Franco de Andrade, primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC). Em Valinhos, a preservação do patrimônio histórico e cultural ganhou força nos últimos cinco anos com a fundação da Associação de Preservação Histórica de Valinhos (APVH). Nesta edição, o presidente da APVH, Marcel Trombetta Pazinatto fala sobre a história da Associação e suas principais metas e desafios.

Folha de Valinhos: O que inspirou a criação da APVH e como ela foi fundada?
Marcel Pazzinatto: Tudo começou em janeiro de 2011, quando uma forte chuva provocou o alagamento do complexo da antiga Estação Ferroviária da Cia. Paulista de Estradas de Ferro de Valinhos, onde atualmente funciona o Museu e Acervo Municipal “Fotógrafo Haroldo Ângelo Pazinatto”, e também a destruição de parte da calha do Ribeirão Pinheiros às margens da Avenida dos Imigrantes. Naquele momento, os encontros mensais do Clube de Carros Antigos de Valinhos precisaram ser transferidos para o CACC – Centro de Artes Cultura e Comércio Adoniran Barbosa.
Em maio de 2013, em comemoração à “Semana de Museus”, foi montada uma exposição de antiguidades e painéis contando a história da ferrovia por membros do Clube dos Carros Antigos de Valinhos. Em 2014 o evento foi repetido, dentro da 12ª Semana Nacional de Museus, promovida e fomentada pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus) em nível nacional, e pela Secretaria de Cultura e Turismo na cidade de Valinhos. Em agosto do mesmo ano ocorreu o lançamento do Projeto “Os 60 anos de imagens de Haroldo Pazinatto” que resgatou e marcou a história iconográfica Valinhense do século XX. A partir destas iniciativas, os amigos, Sérgio Leandro Ferrari e Marcel Trombetta Pazinatto perceberam que tinham uma ideia em comum: montar um grupo com foco na pesquisa e preservação histórica de Valinhos. Participaram ainda deste grupo os amigos Luiz Paulo e Carlos Zanivan, Mauro Baldin, Alessandro e Gislaine Becchi, que são colecionadores de relíquias e antiguidades. O grupo foi se reunindo e debatendo ideias, promovendo encontros para que pudessem atuar na preservação da história da cidade de Valinhos, bem como nos seus acervos próprios, considerando também prédios e bens históricos importantes da cidade.

E quando a APVH foi oficialmente fundada?
Em agosto de 2014, o grupo iniciou o processo de registro da associação para formalização jurídica, tendo como atividades a serem desenvolvidas: pesquisas nos relatórios da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, pesquisas nos arquivos da Gazeta de Campinas e nos arquivos do jornal Estado de São Paulo, bem como registro fotográfico de edifícios antigos demolidos, além de promover exposições de objetos, antiguidades e fotografias. Em dezembro do mesmo ano a entidade recebeu novos integrantes que de alguma forma também possuem algum vínculo com a história da cidade, e que ajudaram a compor partes da diretoria e conselhos, são eles, Dalmírio Djalma do Amaral, José Eulalio, Dino Celani, Dalmace Neto, Vitor Canale, André Betti, Sergio Ferrari e Francisco Ferraro.

Qual a principal missão da Associação?
A APVH tem como missão contribuir para a preservação da história, memória e identidade da cidade de Valinhos, desenvolvendo atividades sociais e educacionais, de pesquisa e filantropia, através de exposições de longa duração, temporárias e itinerantes. As atividades são desenvolvidas para a comunidade em geral, podendo relacionar-se com colecionadores e entidades de classe e até órgãos governamentais de preservação do patrimônio histórico, arquitetônico e cultural como, CONDEPHAAT/SP, IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e IBRAM.

O que a Associação representa para você?
A Associação representa para mim um local onde posso atuar com o meu hobby de pesquisador, atuando nos mais diversos segmentos e tipos de materiais que contam partes da história de Valinhos e, o mais importante, lutar pela conservação e perpetuidade destas informações.

Para a cidade, qual você acredita ser a importância da APHV?
Eu acho que para a cidade, a APHV tem elevada importância nos trabalhos que ela vem realizando relacionados à preservação histórica e na divulgação da história através de exposições e publicações. Já perdemos a conta de quantos historiadores, professores e entusiastas, nós ajudamos. Temos grandes projetos para serem desenvolvidos para os próximos anos e estamos em busca de uma nova sede para ajudar nessa dinâmica.

A APHV celebra 5 anos de fundação este mês. Quais foram os principais trabalhos desenvolvidos no decorrer deste tempo?
Realizamos diversas pesquisas nas mais diversas áreas documentais e iconográficas. Entre setembro de 2014 a Janeiro de 2016, a APHV lançou, em parceria com a Imprensa Oficial, órgão de comunicação da Prefeitura de Valinhos, uma nova seção dentro do Boletim Municipal com a proposta de contar a história da cidade. Durante esses 05 anos atuamos com representantes no Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA) e atualmente estamos trabalhando no Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Cultural de Valinhos (CONDEPAV). Algums exposições também foram realizadas durante a 66ª e 67ª Festa do Figo, Semana Nacional de Museus e Primavera de Museus, além de palestras para escolas, entidades e associações voltadas para temas históricos e de preservação do patrimônio.
A APHV vem se especializando na produção de acervos e arquivos, restauro de peças, fotografias e objetos, identificando e preservando o valor histórico de cada item. Também realiza trabalhos de arqueologia urbana, rural, ferroviária e industrial. A arqueologia estuda as culturas e os modos de vida do passado a partir de análises de vestígios materiais.

Quais foram as principais dificuldades encontradas no meio do caminho?
Acho que a principal dificuldade encontrada é que a informação histórica, de uma forma geral, se encontra dispersa, infelizmente não temos em nossa cultura o aprendizado de preservar os passos dos nossos antepassados.  A informação até pode existir, mas fica difícil de encontrar e, em muitos casos, dependendo do assunto da pesquisa, ela já não existe mais, perdeu-se com o tempo ou com as intempéries da vida cotidiana. Mas de uma certa forma, nos últimos anos, tenho percebido que está existindo uma maior sensibilidade nesse tema de preservação, acho que a internet tem ajudado nisso.

Quantos associados a APHV tem hoje? Atrair novos associados está entre as metas?
Hoje a Associação possui 24 associados. Queremos atrair mais associados, mas só vamos intensificar esse processo após conseguirmos nos mudar para uma possível nova sede.

O que eu preciso fazer para me associar? Como as pessoas podem colaborar?
Para quem quiser mais informações sobre como se associar ou como poder colaborar, entre em contato pelo email: historiavalinhos@gmail.com.

Fale sobre o projeto Maravilhas de Valinhos. Em que fase estão e como está o engajamento da população?
O projeto “AS 14 MARAVILHAS DE VALINHOS” foi desenvolvido durante o ano de 2018 dentro da APHV com o objetivo de envolver a sociedade de uma forma didática e participativa no conhecimento e valorização do patrimônio de relevância histórica. O projeto consiste em selecionar, através de um processo previamente estabelecido, as 07 maravilhas existentes da cidade de Valinhos e as 07 maravilhas da Valinhos antiga, ou seja, aquelas que foram extintas e ficaram apenas na memória. Foram consideradas como “potenciais maravilhas” aquelas formadas por elementos materiais e naturais, possuindo relevância histórica, arquitetônica, cultural e de lazer.
Uma comissão foi formada para selecionar as potenciais maravilhas e as pessoas podem votar, a seu critério, na quantidade de 01 até 07 votos nas “Maravilhas Existentes”e de 01 até 07 votos nas “Maravilhas da Valinhos Antiga”, ao todo poderão dar até 14 votos.
A data do encerramento será 15/10/19 e a divulgação do resultado em 11/11/19. Até o momento foram registrados 11.400 votos ao todo, somando as maravilhas extintas e existentes.

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