Entrevista - Thiago Carpini

Entrevista - Thiago Carpini

Raio X

Thiago Carpini

Nascimento - 16 de julho de 1984

Idade - 35 Anos

Cidade de Nascimento - Valinhos 

Profissão - Ex-jogador de futebol, auxiliar técnico e atual técnico do Guarani Futebol Clube

A vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-GO, na noite de segunda-feira, dia 30, foi de extrema importância para o Bugre se distanciar ainda mais da parte de baixo da tabela. Hoje, o time comandado pelo valinhense Tiago Carpini ocupa a 12ª colocação na classificação, somando 32 pontos, e não sofre um gol há cinco partidas.

Um dos responsáveis pela ascendência do time na tabela, Tiago Carpini assumiu interinamente o comando do Guarani em 22 de agosto, após a demissão do técnico Roberto Fonseca. E o valinhense tem mostrado para que veio: após passar sufoco na zona de rebaixamento por diversas rodadas, o Bugre pode finalmente respirar aliviado.

Tiago, contudo, não é o primeiro valinhense a se destacar no alviverde campineiro. Na entrada do setor das cadeiras vitalícias do Brinco de Ouro da Princesa é possível encontrar o busto do zagueiro João Luiz Ungaretti, o Joca, um valinhense que se tornou um dos principais ícones da história do Bugre.

Em entrevista exclusiva à Folha de Valinhos, Carpini fala sobre sua carreira, desafios e sua eterna relação de amor e gratidão com a terra do figo roxo.

Quando começou sua relação com o esporte?
Minha família sempre falou que meu contato com a bola começou quando eu era muito pequeno. Dizem que eu não me importava com outros brinquedos, era bola, bola, bola o tempo todo. Então essa paixão acredito que tenha nascido comigo, foi algo predestinado da parte de Deus para a minha vida.

Quando concluiu que se tornaria um atleta profissional? Fale sobre essa decisão.
Esse sonho sempre existiu. A verdade também é que eu não tinha outras alternativas na minha vida. Eu tive uma infância um pouco complicada, sem meus pais, criados pelos avós, pelas tias...então eu via o futebol não só como uma paixão, mas como uma alternativa de vida, uma saída para buscar coisas melhores. Posso dizer que minha carreira começou em Valinhos, trabalhando com o Toninho Evangelista, com Fabrício, com o pessoal da Secretaria de Esportes, na seleção de Valinhos e no Rigesa, que foi onde tudo começou mesmo. Hoje o Clube já não existe mais, mas tenho uma lembrança muito boa, porque boa parte da minha infância, da minha formação eu passei ali. A verdade então é que decidi quando vi que era possível.

Qual foi o momento mais marcante de sua trajetória no esporte?
Eu com certeza poderia citar inúmeros momentos marcantes na minha carreira, incluindo experiências no Brasil ou fora do país. Mas, sem dúvida, o meu primeiro jogo como profissional, minha estreia, foi o momento mais marcante. Foi contra o Fluminense do Rio, no campeonato Brasileiro serie A, eu tinha uns 19 para 20 anos, e peguei um Fluminense com Thiago Silva, do Paris Saint-Germain, Marcelo, do Real Madrid, esses jogadores iniciando a carreira no Fluminense. Tinha o Petković, que é o ídolo, e posteriormente foi ser meu companheiro de trabalho no Atlético Mineiro. Tive vários momentos...de títulos, momentos de glorias, de tristeza, de chateação, de lesões, e todos eles foram momentos marcantes, de forma positiva ou negativa.

Como foi sua carreira até aqui?
Enquanto jogava no Rigesa, recebi um convite para jogar no Paulista de Jundiaí. Dali fui para o Atlético Paranaense, Ponte Preta, Atlético Mineiro, Bahia, América de Natal, tive duas experiências fora do país jogando em times da China e Grécia. Passei pelo Novo Hamburgo, andei por times do estado de Goiás e voltei para o Guarani como atleta em 2013 onde fiquei até 2016.

Alcançou todas as suas metas?
Acredito ter alcançado todos os meus sonhos sim. É claro que quando a gente começa e as coisas se tornam mais possíveis, mais palpáveis, a gente sempre quer mais. Eu imaginava ter jogado num grande clube da Europa, na seleção brasileira que é o sonho de atleta. Porém, sou muito feliz e realizado com aquilo que eu conquistei, com aquilo que Deus me permitiu conquistar. Talvez não tenha sido tudo que eu quis, mas foi muito mais do que eu imaginei.

As rotinas de treinos e jogos te deixam longe da família? O que sua família representa pra você.
Representa tudo pra mim. É minha base, meu alicerce. Tenho dois filhos e uma companheira, a Juliana, que está comigo a 14 anos. Todo meu esforço, sacrifício, dedicação é para dar aos meus filhos as melhores oportunidades. Quero ser para eles um espelho, uma referência. Então o que me mantém forte é saber que faço tudo por eles e para eles. Quero auxiliá-los em tudo, na busca pelos sonhos e pelas oportunidades, porque fez muita falta na minha infância. Hoje, meus avós são minhas referências como seres humanos e é isso que espero ser também para os meus filhos.

O busto de Joca no Brinco de Ouro da Princesa prova que outro valinhense já fez história no Guarani. O que ele representa para você? 

Inspiração. Hoje não me vejo fazendo história, me vejo fazendo parte de um processo que tem dado certo, mas muita coisa ainda tem que acontecer para essa roda girar da maneira que tem que girar. Fico feliz em ser, de certa forma comparado (pelo menos por termos a mesma origem, rs). Com certeza coisas grandes ele fez e desejo que elas sirvam de inspiração para que eu possa contribuir e quem sabe também um dia fazer história, assim como ele.

Em recente declaração feita a mídia, o presidente do Guarani afirmou que avalia a possibilidade de efetivar você no cargo de técnico. Como você vê essa declaração e quais suas expectativas?
Eu estou bem tranquilo em relação a isso. Acreditamos que a decisão até o momento tem sido acertada. Vamos dar tempo ao tempo, jogo a jogo, para não precipitar as coisas e em momento algum ver qualquer decisão atrapalhar o que vem dando certo. Não crio expectativas em relação a isso. Procuro ajudar e fazer o meu melhor enquanto eu estiver no comando, e continuarei ajudando e fazendo meu melhor se eu voltar a minha função, caso isso aconteça. O mais importante é ajudar o Guarani a sair dessa situação. Fico feliz pelo reconhecimento, mas não tenho expectativa em relação a isso. Acredito que tudo acontece de maneira muito natural, no tempo de Deus, quando as coisas tiverem que acontecer elas acontecem. Foi assim na minha vida toda, então eu prefiro ter os pés no chão, equilíbrio e foco no trabalho.

Como é o desafio de dirigir um time que já foi campeão brasileiro e hoje luta para escapar do rebaixamento para a série C.
É uma honra e uma responsabilidade muito grande dirigir um clube da grandeza do Guarani. É o único campeão brasileiro do interior. Um clube de tantos craques do passado e de um passado recente. E aí cai no seu colo a responsabilidade de toda uma nação, de toda uma família bugrina, de livrar o time do rebaixamento, uma tragédia que já era anunciada e dada como certa. E então, estamos conseguindo, passo a passo, jogo a jogo, tirar o Guarani dessa situação. Fico feliz, lisonjeado, mas como eu falei há um tempo, com os pés no chão.

O que Valinhos representa para você?
“Valinhos city”, representa muito pra mim. Tenho alguns amigos que são repórteres aqui em Campinas que me chamam de Pé de Figo. E eu sou com muito orgulho. Foi onde eu cresci, onde eu me criei, onde eu moro, onde eu quero criar meus filhos. Quero que sejam típicos cidadãos valinhenses, criados na Festa do Figo, vendo shows, participando das atrações de esporte da cidade. Tenho um carinho enorme por essa cidade e quem sabe um dia eu tenha alguma oportunidade de devolver para o município tudo àquilo que a cidade me deu. É, sem dúvida, onde eu quero passar o resto da minha vida, minha velhice e criar meus fihos. 

Thiago Carpini, Técnico do Guarani, ao lado do busto de outro ilustre valinhense que fez história no Bugre: Joca Ungaretti

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