Emerson Ferrari, presidente da ACI na Entrevista da Semana

Emerson Ferrari, presidente da ACI na Entrevista da Semana

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Valinhos (ACIV), Emerson Ferrari,
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Valinhos (ACIV), Emerson Ferrari,

RAIO-X
Nome: Emerson Ferrari
Idade: 47 anos
Cidade de nascimento: Valinhos
Profissão/principais atividades: Sócio da Criativa Brasil Comunicação e Presidente da Associação Comercial e Industrial de Valinhos (ACIV)

“Este é um novo passo que precisa contar com o comprometimento de todos”

Desde a última segunda-feira, dia 1º, parte do comércio reabriu as portas em Valinhos após 70 dias de quarentena. A nova fase, intitulada pelo Governo do Estado de “Retomada Consciente da Economia”, marca o início de um novo momento para comerciantes e consumidores. Em entrevista à Folha de Valinhos, o presidente da Associação Comercial e Industrial de Valinhos (ACIV), Emerson Ferrari, reforça que a abertura era muito aguardada por todos. “O Desespero do comerciante era evidente e cada vez mais crescente. Mesmo com os horários reduzidos, esse cenário é infinitamente melhor do que o anterior com as atividades comerciais paralisadas”.

Como presidente da ACIV, como você enxerga este novo passo?
Estive em constante contato com o executivo municipal, e a nossa entidade sempre esteve presente durante o processo que antecedeu a reabertura, apresentando opiniões e se comprometendo na divulgação junto aos comerciantes e empresários da cidade.
Este é um novo passo que precisa contar com o comprometimento de todos, mais do que nunca precisar estar juntos, para garantir que não exista retrocesso para a Fase 1 e que as Fases seguintes sejam liberadas garantindo a retomada dos outros segmentos não contemplados nesse momento.

Como a quarentena afetou o comércio em Valinhos? Há estatísticas referente aos prejuízos?
Não temos estatísticas no momento sobre o impacto na economia da cidade, estamos estudando a melhor forma de levantar as perdas e o número de empresas que finalizaram suas atividades, durante a quarentena. Mas é fato que sim, tivemos impacto sobre as atividades econômicas do município, com empresas fechadas, finalizando suas atividades definitivamente, e por consequência disso muitas pessoas perderam seus empregos em nossa cidade.

Algum comércio da cidade fechou as portas durante este período? Quantos e de qual segmento?
Como mencionei anteriormente, ainda não temos um levantamento preciso referente ao fechamento das empresas, é muito provável que consigamos ter essa informação, apenas no final da abertura de todos os setores, com as liberações das próximas fases do plano São Paulo.  Mas posso afirmar que recebemos constantemente relatos, dos próprios responsáveis, sobre a finalização das suas atividades, nos mais diversos segmentos.

Houve demissões no comércio neste período? É possível mensurar quantas?
Buscaremos essas informações junto aos sindicatos, e escritórios de contabilidade da cidade, mas é fato que certamente tivermos muitas demissões. Não conseguiremos ter acesso aos informais, mas o impacto nos postos formais aparecerá nos próximos meses nos números do CAGED.

Você sempre se posicionou de forma contrária ao fechamento do comércio. Na sua opinião, qual seria a melhor forma de combater a disseminação do vírus?
Entendo que a quarentena seria um recurso muito mais viável, se acompanhada de ampla testagem, como presenciamos em outros países afetados pela pandemia, mas aqui isso nunca aconteceu. 
Uma vez que a cura ainda é algo muito distante, acredito que a aplicação dos protocolos como feita nos essenciais, poderia também ter sido realizada nos outros segmentos desde o início da pandemia, incluindo uma intensa comunicação junto à população em geral, para que as regulamentações sanitárias fossem incorporadas gradativamente no dia a dia de todos.
Sempre enfatizei que remédio dado em excesso é veneno, e essa dose foi letal para a economia de todo país.
Como ressaltamos inúmeras vezes, nunca menosprezamos a gravidade da doença, mas entendemos que precisa ocorrer um equilíbrio entre a economia e saúde.
O fato é que quando apenas contemplamos um dos lados o outro sofre e tem consequências a médio e longo prazo gravíssimas, e aqui falo inclusive de perdas de vidas de todas as faixas etárias, a miséria também mata.

O que a ACIV fez para auxiliar os comerciantes durante este período?
A ACIV foi uma das únicas entidades da região, que mantiveram a sua atividade presencial, a maioria das entidades só retornaram nesta semana.
A ACIV manteve a sua operação do sistema de proteção ao crédito, a gestão dos benefícios como planos de saúde (extremamente importantes nesse momento) e planos odontológicos. Mantivemos o atendimento no balcão de todos os serviços oferecidos, como emissão de guias e notas fiscais para MEIs. Iniciamos uma campanha para captação de alimentos para famílias impactados pelo Coronavírus, além é claro, de se colocar à disposição dos seus associados, para orientá-los e informá-los durante todo o período da pandemia.
Não só a equipe da ACIV mas também os seus diretores, entre os quais me incluo, atendemos diariamente comerciantes e empreendedores que buscavam informações, orientação ou solicitavam o encaminhamento de documentos para o poder público, buscando flexibilização.
Ė importante enfatizar que a ACIV também esteve em contato constante com outras entidades representativas no terceiro setor, e também em contato com o poder público municipal, incluindo vigilância sanitária, secretaria de desenvolvimento econômico, secretaria de defesa do cidadão (comando da guarda civil municipal), dentre outras. Solicitamos ações, participamos do processo que antecedeu a liberação das linhas de crédito do Banco do Povo em Valinhos, e apresentamos canais alternativos que ligam o consumidor aos estabelecimentos comerciais.
Enquanto a ACIV trabalhava na frente municipal com solicitações que minimizassem o impacto da paralização junto ao poder público, nossa federação a FACESP trabalhava em outra frente junto ao governo estadual. Tendo inclusive papel importante na estruturação do plano de São Paulo e das diretrizes aplicadas na flexibilização, através da troca de informações intensa entre as 420 associações que a integram, incluindo a RA7, região a qual Valinhos participa.

Durante os primeiros dias de reabertura, a ACIV ajudou na fiscalização/orientação dos lojistas?
A ACIV não tem papel fiscalizador, mas está cumprindo o seu papel de orientação. Representantes da ACIV estiveram presentes, acompanhando o processo de reabertura, inclusive orientando e conversando com responsáveis pelas lojas, principalmente sobre a organização das filas externas preservando o distanciamento social recomendado, nos grandes magazines. Continuamos acompanhando esse processo e em contato com a secretaria de desenvolvimento econômico e vigilância sanitária.

Os comerciantes estão seguindo as regras impostas pelo decreto municipal?
Num contexto geral, inclusive apresentado pela TV regional, mostra que os comerciantes estão engajados no cumprimento dos protocolos, atendendo as regulamentações sanitárias.

Qual sua opinião sobre as regras?
A ACIV entende que os protocolos zelam pela saúde e segurança dos colaboradores, comerciantes e consumidores.
Como Presidente, entendo que é importante a aplicação das regulamentações sanitárias, para garantir a continuidade da atual fase, e principalmente para avançar para fase seguinte, uma vez que companheiros empreendedores de outros segmentos esperam ansiosos a retomada de suas atividades comerciais.
Estamos acompanhando em outras cidades do Estado de São Paulo há possibilidade do retorno para fase 1 vermelha com atividade comercial paralisada, não queremos que isso aconteça em Valinhos. Precisamos ter o total comprometimento não só dos comerciantes, mas também dos colaboradores e principalmente da população para garantir a continuidade das atividades.

Como os comerciantes estão encarando esta nova fase?
É natural que não exista unanimidade no entendimento e atendimento das regras, casos pontuais de descumprimento podem acontecer, mas acreditamos que se ocorrerem serão exceções. A grande maioria dos comerciantes está comprometida para garantir a atividade dos seus estabelecimentos, mesmo ocorrendo eventuais discordâncias de pontos da flexibilização.

A quarentena mudou as relações de consumo? Como?
O mundo todo fala hoje do “Novo Normal”, certamente a pandemia acabará, mas as consequências e o impacto da covid-19 perdurarão por muitos anos. Com certeza tivemos mudança nas relações de consumo. 
A apresentação e o consumo de produtos e serviços através de canais digitais que já era uma grande tendência fora do Brasil, atropelou os menos “antenados” e se mostrou o único caminho disponível no momento de paralisação das atividades econômicas.  Estes canais permanecerão ativos após o término da pandemia, recebendo inclusive maior investimento.
Muitas empresas entenderam que o trabalho em home Office é possível e manterão essa forma de trabalho após a pandemia, como já foi divulgado por gigantes como a Google. As pessoas perceberam que podem contratar talentos no mundo todo, e que o tempo antes perdido com deslocamento, pode ser utilizado na implementação do conhecimento.
Reuniões Virtuais se mostraram tão eficazes quanto as presenciais, além da comodidade, a efetiva troca de documentos e informações para as tomadas de decisão. Os empreendedores precisam estar preparados para esse novo mundo.

Qual a expectativa de vendas para o Dia dos Namorados?
É óbvio que no atual cenário, não temos a mesma expectativa do ano passado (que apresentou aumento de vendas comparados aos períodos anteriores), mas é um momento aguardado por diversos segmentos e que representa um fôlego, muito bem vindo nesse período crítico. Vamos torcer para que todos os apaixonados de plantão, não deixem essa data passar em branco sem as devidas comemorações. Como os restaurantes estarão liberados apenas na fase 3, não teremos o atendimento presencial nos mesmos no dia 12, mas isso não impede a possibilidade de um jantar romântico, no conforto dos lares, com a praticidade e as delícias proporcionadas pelos sistemas de delivery, escolha o seu preferido e comemore! Não esqueça …

Apesar da retomada inicial das atividades, a curva de contágio do coronavírus continua acelerada. Em muitas cidades a polícia foi acionada para dispersar aglomerações. Você sente que as pessoas estão respeitando as medidas de distanciamento em Valinhos?
A maior dificuldade hoje é a conscientização da população em atender os protocolos. Esperamos que estas atitudes não sejam necessárias em Valinhos. Mesmo que os comerciantes e comerciários estejam atendendo as regulamentações, vale reiterar os cuidados que os munícipes precisam ter:
- Saia sempre com máscara.
- Carregue também o seu álcool 70 gel.
- Se estiver com sintomas de gripe não vá até o comércio.
- Defina o que precisa comprar antes de sair de casa.
- Higienize as mãos com álcool 70 antes de entrar no estabelecimento
- Permaneça no estabelecimento comercial o menor tempo possível, pense nos outros.
- Faça suas compras e retorne para casa evite passear sem propósito.
- Não manipule itens que não tiver certeza que irá comprar.
- Priorize o delivery e a compra digital, prestigiando o comércio local.
- Faça sempre o agendamento quando possível
- Priorize o pagamento por cartão ou aproximação.
- Ao manipular dinheiro faça sempre a higienização com álcool posteriormente.
- Passe álcool nas mãos antes de sair do estabelecimento.
- Obedeça o distanciamento social.

Resuma este novo momento em uma frase:
Mesmo não tendo as condições que consideramos como ideais, vamos com a resiliência de sempre abraçar essa oportunidade e fazer o nosso melhor, com todo o cuidado possível, para garantir a continuidade das nossas atividades.

Deixe uma mensagem para os comerciantes da cidade.
Precisamos estar mais do que nunca juntos, comprometidos com as regulamentações sanitárias, pensando não apenas nos nossos negócios, mas também naqueles empresários que esperam o retorno das atividades. A ACIV está à disposição dos empreendedores da nossa cidade, e estaremos fazendo todo o possível pelo empresariado de Valinhos. A decisão final está no poder público, mas seguiremos fazendo o nosso papel, reivindicando e cobrando. Que tenhamos a força necessária para superarmos esse que se mostra um dos maiores desafios que já vivemos.